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domingo, 26 de abril de 2015

Qual briga devemos comprar?

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Tenho lido textos e assistido vídeos sobre política ultimamente, eu gosto de ouvir os dois lados, porque entendo que ninguém é dono da verdade. Tenho sempre tentado enxergar os caminhos do Brasil nas teses que eu tenho estudado. Eu aprendi a ouvir mais do que a falar, talvez pelo ambiente hostil ao qual eu sempre fui submetido como conservador em meio a liberais (quando falo em liberais, me refiro à moral e não à ideologia política, não há muitos politicamente liberais no Brasil), e me especializei mais em escrever do que em falar. Eu normalmente não sou bom em debates porque o meu raciocínio é lento e eu gosto sempre de remoer algo bastante antes de dizer o que penso sobre o assunto, e mudei muito de opinião sobre questões polêmicas tais como casamento homossexual, aborto, celulas tronco, entre outras, não em relação a elas propriamente ditas, mas á forma de tratar delas. Normalmente passeio um pouco entre o pensamento liberal e o conservador, pois entendo que a moral deve ser preservada se queremos progredir como sociedade, mas vejo essa mesma moral ameaçada quando dou poder ao Estado para controlá-la, isso é perigoso. Quero dar uma opinião sobre a questão da moral cristã em contraste com a liberdade apregoada pelo liberalismo político e sinceramente, nunca vi ninguém falar nada parecido com o que vou dizer, muito embora ache que algumas pessoas pensem como eu, mas não queiram expor seu pensamento, ou não o consigam. Percebo que, em debates, o pensamento cristão sai em desvantagem principalmente porque é preciso tempo e uma linha de raciocínio bem clara para expormos nossa maneira de pensar e nossos rivais não nos deixam concluir nosso raciocínio, uma interrupção seguida de uma acusação infundada tira qualquer um do sério... Essa é sem sombra de dúvidas uma das razões pelas quais eu prefiro escrever do que debater, já que ninguém me interrompe enquanto escrevo, já enquanto falo…
Afinal qual é a razão de os evangélicos estarem sendo bombardeados hoje por todos? Pensamos que a imoralidade para a qual caminhamos nos levará à derrocada de nossa sociedade. Entendemos que a família heterossexual deve ser a única existente, que crianças não devem ser assassinadas dentro do útero de suas mães, que a dignidade humana deve ser preservada, mesmo que em estágios iniciais de nossa existência. É assim que pensamos e é isso que pregamos e não temos a menor intenção de obrigarmos quem quer que seja a pensar como nós ou a agir como nós. Apenas queremos ter o direito de nos expressarmos sobre isso a fim de tentarmos convencer a muitos pela pregação. Por conta desse processo de pregação e de conversão de muitos à nossa forma de pensar, temos alguns atritos com outras filosofias e daí surgem os embates, afinal estamos crescendo e isso assusta a  muitos.
Daí vem a questão de nós os protestantes, conservadores que somos, sempre tendermos a nos aproximar dos liberais, já que assim garantimos nosso direito de livre expressão e de livre prática religiosa, fora do liberalismo, estaríamos ferrados, e pra entendermos isso basta olharmos para a história. Todo sistema político totalitário tende a perseguir qualquer grupo que cresça paralela e independentemente do Estado, como é o caso da Igreja, é uma questão de poder. Isso aconteceu no Império Romano, na Alemanha nacional-socialista, nas nações socialistas atuais. A influência dos líderes cristãos pode fazer desmoronar o poder de qualquer líder político em questão de instantes, logo a resposta é desestabilizar, dividir para conquistar e em última instância, matar mesmo quem quer que se oponha ao regime político. hoje no Brasil estamos sofrendo ainda a primeira fase, a tentativa de desestabilizar.   Quero deixar bem claro que isso não acontece só com a religião, qualquer grupo influente e independente sofre com regimes totalitários.
Tendo tudo isso em mente, cria-se na cabeça de inúmeros cristãos a idéia de coitadismo, de que estamos sendo perseguidos a todo instante e quase que instantaneamente tendemos a recorrer ao Estado para proteger a sociedade da imoralidade em que a sociedade está submergindo para nos protegermos. Algo não muito compatível com a idéia liberal de que as pessoas devem ser livres para serem diferentes, individuais, fazerem o que tiverem vontade de fazer, sem a interferência do Estado, desde que obviamente não interfiram na liberdade uns dos outros. essa é uma questão complexa, já que em tese, a imoralidade não afeta só a quem a pratica, mas a toda a sociedade, logo o conservador entende que está defendendo a todos quando luta contra a imoralidade.
Tenho refletido muito sobre isso e cheguei à conclusão de que estamos partindo de um pressuposto errôneo. Um pressuposto negado pelo próprio liberalismo político e pela nossa fé, mesmo que indiretamente. O de que o Estado é eficiente. Criamos a expectativa tola de que o Estado vai evitar que homossexuais vivam juntos ao não reconhecer o casamento homossexual. Sabemos que o Estado é ineficiente e que não conseguirá barrar uma tendência mundial de ir contra os princípios cristãos. Alguém dirá: mas a questão não é evitar que o ato aconteça, mas evitar que o ato seja incentivado. Ora, o fato de o Estado não reconhecer o casamento homossexual não nos levará a uma diminuição de casos homossexuais, já que, sem o reconhecimento, o homossexualismo continua avançando em aceitação na nossa sociedade. Outro dirá: É uma questão de princípios, o Estado não deve reconhecer algo ilegítimo. Bem, o casamento homossexual é ilegítimo para nós, para eles não, isso nos leva à questão do pensamento liberal, que não somos donos da verdade, apesar de entendermos que estamos certos. Por isso entendo que não faz sentido lutarmos contra essa tendência via Estado. Não estou dizendo que devemos aceitar ou concordar com a prática. Somos livres pra pensar e falar o que quisermos, assim como eles. Chego à conclusão de que estamos lutando em vão não pelo fato de que não possamos conseguir barrar o casamento homossexual, ou o aborto despropositado, ou o uso de embriões humanos para experiências, etc.., mas entendo que mesmo que isso aconteça, as práticas continuarão ocorrendo pelo simples fato de o Estado ser ineficiente.
Acredito que abri um novo precedente na minha discussão. Alguém poderá achar que eu sou um conformado, que acho que as coisas estão caminhando para uma tendência apocaliptica e que não tem jeito de consertar essa bagunça. Eu creio que tem jeito sim, mas também creio que essa mudança é limitada a indivíduos e no máximo a grupos ou até mesmo a grandes massas isoladamente, em termos geográficos, em meio a esses bilhões de habitantes do planeta Terra, mas que pra maioria é mais fácil nadar junto com a corrente. Também acredito que, mesmo com a ineficiência do Estado, há posições pelas quais devemos brigar no congresso, como por exemplo, contra o aborto despropositado, experiências com embriões humanos, afinal, com a vida humana não se brinca, mas não devemos nos limitar a isso. O mais importante é pregar o Evangelho porque é ele que transforma e que muda a mentalidade corrompida pelo pecado. É nesse campo que devemos travar os maiores embates. É aí que está a nossa luta.

Pra resumir, deixo aqui uma declaração que eu tenho o prazer de fazer:

É Cristo que salva!

domingo, 31 de outubro de 2010

Desabafo de um nordestino que votou no Serra

Passou. Meses a fio com uma neurose insuportável. Acho que mais um pouco e eu ia enfartar... Sempre fui uma pessoa que não consegue ficar calada quando ouve injustiças, baboseiras, heresias, mentiras e tudo mais que não edifica sem falar a verdade doa a quem doer. No primeiro turno votei na Marina, claro, evangélica, conceituada como defensora do meio ambiente, uma opção tanto dos “religiosos” como dos que não creem em Deus, mas creem na educação, por mais que isso seja uma contradição... Votei com entusiasmo, consciente, com alegria, pois sabia que minha candidata merecia e merece meu voto! Marina não foi para o segundo turno, mas ficou a impressão de que o Brasil ainda tem jeito (creio nas profecias, mas entendo que nossa luta deve ser sempre pra melhorar as coisas, pois só Deus sabe quando certas profecias vão acontecer).

No segundo turno não tivemos muitas opções, era o péssimo ou o ruim e acabei por optar pelo ruim, isso segundo os meus critérios, mesmo que alguns os tenham por atrasados. A religião deve ficar separada do Estado, dizem eles, mas esquecem que a população não é laica, mas sim o Estado, e podemos escolher nossos representantes levando em consideração pontos que se relacionam a valores que se confundem com a religião, como por exemplo a liberação de novos casos em que o aborto possa ser feito, o casamento homossexual, etc.. Votei em José Serra mesmo morando no reduto dos petistas, o Nordeste. Não pedi votos para o Serra como pedi para Marina, não foi uma defesa apaixonante, nem mesmo o defendi para todos os meus próximos, no máximo, respondi que votaria nele e fui muitas vezes criticado. Votar no PSDB aqui no Nordeste é como afirmar que Maradona jogou mais que o Pelé, é quase uma heresia para alguns evangélicos e um crime para outros, pois para eles os Peessedebistas sãos uns assassinos do povo...

Quando o PT chegou ao poder eu, como fui doutrinado a votar o PT, comemorei, mas não pude votar no Lula, pois só poderia votar na sua reeleição, não tinha completado 16 anos ainda. Aos 18 fui contemplado com uma bolsa de estudos do Prouni, ainda estou cursando faculdade como resultado desta oportunidade dada pelo Presidente Lula a mim, isso eu não não posso deixar de reconhecer. Lula ajudou muita gente a subir de vida, principalmente aqui no Nordeste. Ele conseguiu equilibrar os investimentos, apesar de que grande parte do que havia sido prometido para o Ceará foi pra Pernambuco... De uma situação de extrema necessidade aqui em casa, nesses oito anos passamos a ser pessoas prósperas. Não temos tudo, mas temos o necessário.

Porém alguém poderia estar se perguntando o porquê de eu ter começado esse comentário dizendo que os dois candidatos, incluindo a Dilma, são ruins e estar agora elogiando o PT. Na verdade, a minha avaliação do Governo Lula foi muito mais a fundo. Não faço como Edir Macedo que, em nome da Prosperidade, defende o aborto e vota em Dilma que também é uma defensora inveterada desse ato que considero abominável, matar um inocente nunca será bom, em hipótese alguma! Além de defender o aborto, Dilma, seguindo a linha de seu partido, defende, ou no mínimo consente com quem apoia a liberação do uso da maconha (ideia defendida pelo Ministro Minc). Seu partido elaborou a PL 122/2006, tem lutado contra a liberdade de imprensa, por exemplo, com o projeto de lei da Deputada Raquel Marques aqui no Ceará, entre outras coisas que o pessoal do PT acha irrelevantes como o aumento da corrupção, violência e sucateamento das escolas e hospitais. Para os defensores do PT, Lula roubou pouco e fez muito, então vamos deixar a Dilma roubar mais um pouco e fazer mais “coisas boas” pelo povo...

Na minha concepção, quem votou na Dilma não difere muito de quem votou no Tiririca, meu conterrâneo, mas que não mereceu os votos que levou. Dilma foi uma candidata ruim que foi eleita porque foi apoiada por Lula, o filho do Brasil... Brasil de violência, deseducação, doença e corrupção. Pra mim as coisas boas que ele fez não servem como mérito para que um candidato apoiado por ele seja digno de votos. No máximo o Governo Lula merece meus aplausos pelos avanços e minhas críticas pelos erros gravíssimos que cometeu além de meu repúdio que se concretizou quando votei no Serra. Quem diria, eu votar no Serra...

Acabou. Dilma foi eleita e não desejo o mal a ela nem ao Brasil. Quero mesmo que ela seja uma boa ”presidenta”. Que ela roube menos, erre menos, eduque e cuide mais da saúde do povo. Que combata o narcotráfico e defenda nossa terra amada! Que o Brasil cresça mais, D. Dilma. É isso que eu desejo. Nós como igreja estamos orando pela senhora e a respeitaremos como nossa presidente. Que as diferenças sejam respeitadas como prega seu partido e que possamos compartilhar de nossa fé com os perdidos. Que possamos com liberdade mostrar aos perdidos o Caminho da Salvação sem sermos taxados de preconceituosos. D. Dilma, desejo que seja uma boa presidente para o bem do Brasil e que a voz do povo seja respeitada. Que a liberdade de expressão que me permite escrever este texto possa ser resguardada. Que o Brasil cresça economicamente e espiritualmente, ou pelo menos, que não se perca o resto dos valores cristãos que ainda temos.

Respeitosamente,

Clébio Lima de Freitas

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