Busca por palavras

sábado, 13 de dezembro de 2008

Equilíbrio, um fator decisivo para o serviço cristão (Parte 4)

Equilíbrio no uso dos dons:

Pela graça de Deus tenho mais uma vez a oportunidade de escrever. Quero pedir a todos desculpas por tanto tempo sem postar neste blog por estar muito atarefado no trabalho. Dessa vez quero falar sobre a necessidade de equilíbrio no uso dos dons do Espírito, como prometi. Para tanto, quero primeiramente falar sobre alguns pontos importantes sobre a natureza dos dons do Espírito.

1 – Eles são “dons”:

Os dons espirituais são dados (1 Co 12.7) por Deus a nós para a edificação da igreja (1 Co 14.1-5) e para que Deus se manifeste em nosso meio de forma explícita e incontestável, de maneira que os incrédulos sejam convencidos de que Deus está entre nós (1 Co 14.24,25). Portanto, não achemos nós que somos alguma coisa por termos recebido de Deus algum dom, afinal, Deus nos concede tudo pela sua graça, ou seja, pelo seu favor, mesmo que não mereçamos. Como afirma o Pr. Silas Malafaia em sua mensagem intitulada “O Reino de Deus”, “A manifestação dos dons do Espírito não é a prova de que Deus tem aprovado todos os nossos atos, mas é a manifestação da misericórdia de Deus para conosco”. Não esqueçamos que a igreja a qual não lhe faltava um só dom nos dias de Paulo, foi também uma das igrejas mais problemáticas (1 Co 1.7).

2 – Eles são para hoje:

Me admira que dois mil anos depois de Cristo ter provado que as Escrituras não falham, pois são a Palavra de Deus, ainda existam desafiadores da Bíblia que afirmam, contra ela própria, que os dons cessaram. Para eles é aceitável que Satanás levante suas súditos milagreiros com todos os sinais que eles têm direito, mas para estes mesmos, é irracional que Deus conceda dons para seus ministros pelo seu poder e graça de forma que Ele se manifeste. Ou seja, para eles, os filhos do Diabo podem ter dons, mas os de Deus não! Aconselho aos tais que humildemente olhemos para a Bíblia despojados de nossa própria sabedoria para que a sabedoria de Deus seja manifesta, e pergunto aos tais, onde há na Bíblia um só versículo que nos diga que os dons do Espírito cessaram?! Enquanto eles pensam quero mostrar dezenas de versículos que provam que eles são reais e que estão disponíveis hoje para todos os que crêem que Deus ainda fala e faz milagres (Mc 16.15-18; At 2.39; 6.8; 11.27,28; 14.3;15.32; 21.9-12; Rm 1.11; 12.8; 15.19; 1 Co 1.7; 12.1 – 14.40; Gl 3.5; Ef 4.7-12; 1 Tm 4.14), estes são alguns dos muitos versículos que provam que os dons do Espírito não cessaram e quero por em destaque At 2.39: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.”, essa é a última pá de terra na cova do cessacionismo. Quero, no entanto, dizer aos meus irmãos tradicionais, que apesar de não concordar com sua visão cessacionista, os respeito e estimo, pois somos irmãos em Cristo. Não há lugar no cristianismo para desavenças, por isso, vençamos este demônio chamado intriga que permeia o meio evangélico brasileiro, afinal, o reino de Deus é um só e na Glória estaremos todos unidos sem placa de denominação ou corrente teológico-filosófica. Bom, já falei muito sobre os dons, quero me ater a essência deste artigo, o equilíbrio.
Vencendo os exageros:

Assim como existem pessoas que não crêem nos dons espirituais, também existem aqueles que os colocam num patamar tão elevado na igreja que desprezam o ensinamento da Palavra de Deus e há os que em vez de sujeitarem suas experiências à revelação trazida pela Bíblia, pelo contrário, sujeitam a interpretação da Bíblia às suas experiências. No entanto, a única fonte segura de conhecimento acerca dos dons do Espírito é a Palavra de Deus e devem, nossas experiências sobrenaturais, passarem pelo crivo das Escrituras para sabermos se vêm, ou não, de Deus. O fanatismo com relação aos dons certamente levará alguns a perder sua fé nas manifestações pentecostais, uma profecia que não se cumpriu, uma revelação que não condiz com a veracidade os fatos, um movimento estranho que se assemelha aos cultos afro-brasileiros, línguas usadas de maneira errada, ausência da Palavra no culto dando lugar ao experiencialismo, adoração extravagante, gritarias excessivas, todas essas manifestações sem sentido que acontecem no meio pseudo-pentecostal podem até mesmo desviar alguns do interesse pelo culto, ou pior, podem envolvê-los nessa liturgia barata fazendo-os perder a sensibilidade espiritual e o desejo pelas verdadeiras manifestações do Espírito (1 Co 14.23). Sabemos que Deus fala através do dom da profecia, busquemos o dom da profecia, sabemos que Deus cura os doentes, busquemos os dons de curar, sabemos que Deus nos capacita a falarmos várias línguas, busquemos o dom da variedade de línguas, sabemos que Deus se manifesta no culto, busquemos essas manifestações verdadeiras para as nossas vidas, pois é desejo de Deus realizá-las, mas não deixemos de pregar a Palavra de Deus nem de louvar a Deus com sabedoria, nem de orar a Deus pois, no culto deve haver hora para todos esses elementos (1 Co 14.26).

Irmãos, quero glorificar a Deus por sua graça pois mesmo com nossos erros ele nos ama e quer nos transformar. Não sejamos meninos no entendimento (1 Co 13.11,12), Deus quer dar-nos mais e mais da sua sabedoria, discernimento e conhecimento, não desprezemos a sua Palavra, pois ele é o nosso Deus. Uma igreja capacitada pelo Senhor através dos dons certamente será vitoriosa se usá-los corretamente, porém uma que não sabe usar esses mesmos dons com sabedoria ira fracassar. A igreja no Brasil tem muito terreno a ser conquistado, muitas almas a serem ganhas, usemos a virtude do Espírito Santo para esse propósito e seremos testemunhas do Senhor Jeová, testemunhas verdadeiras e não por nossa própria boca, mas pela Palavra do próprio Deus que diz: “... E serme-eis testemunhas... ”, quando? Quando vier sobre vós “... a virtude do Espírito Santo... ” (At 1.8). Para finalizar quero deixar um versículo que expressa toda a temática desse artigo: "Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo." (2 Pe 3.18a).
Amém!

sábado, 8 de novembro de 2008

Equilíbrio, um fator decisivo para o serviço cristão (Parte 3)

O perigo do liberalismo.

Chegamos a um ponto muito importante dessa série de artigos sobre equilíbrio que não acaba aqui já que esse é um assunto muito amplo. Falarei agora sobre a chamada onda do "não tem nada a ver!". Por favor, não me chamem de saudosista, eu entendo que não podemos viver do passado e sei que ainda existam sete mil que não se prostraram diante de Baal (1 Rs 19.18), mas já perceberam o quanto a igreja perdeu em qualidade?! Não possuíamos tantos seminários teológicos como hoje, mas o fogo do Espírito Santo ardia nos corações dos crentes de uma forma que não se percebe tão facilmente nos crentes atuais. Como é bom estudar Teologia! Mas como é melhor ainda desfrutar de íntima comunhão com Deus, pois sabemos que não conhecemos tudo ainda (1 Co 13.9-12), mas temos um Deus que é tudo de necessário para uma vida feliz de verdade! Percebeu o fator equilíbrio nesse comentário? Precisamos estudar a Palavra, mas precisamos também orar e jejuar, precisamos viver o sobrenatural do Evangelho, pois Jesus Cristo salva, cura, liberta, batiza com o Espírito Santo e faz muito mais do que pedimos, pensamos e esperamos (Ef 3.20). Estamos nos intelectualizando, mas também estamos perdendo o melhor que há no Evangelho, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Terminando o raciocínio, estudar Teologia é bom, melhor ainda é falar em línguas estranhas, operar milagres e maravilhas, expulsar demônios e tudo mais que a Bíblia promete para hoje é melhor ainda, os dois se completam, conhecer e não viver essa verdade é hipocrisia, tentar viver sem conhecer leva-nos ao fanatismo, portanto, vivamos em equilíbrio! Mas porque será que é tão raro hoje vivermos esse evangelho de poder? Não será porque perdemos algo de bom que tínhamos no passado? Como diz minha amada avó: "Tem gente que quando não é oito é oitenta!". Proibíamos tudo, agora estamos liberando tudo. Antes crente não ia à praia, pois seria disciplinado, hoje tem “crente” que não tem vergonha de desfilar na praia quase que totalmente nu, qual a desculpa? “Todo mundo vai à praia desse jeito”, é, mas a Bíblia diz que devemos ser santos em toda a nossa maneira de viver (1 Pe 1.15), isso inclui a maneira como nos vestimos quando vamos à praia, não acha? Acho que alguém vai ler esse comentário e vai exclamar: “Que papo careta!”, é, eu sei, que pena (ou que ótimo?!) que a Bíblia é assim.

A onda agora é ser redondo e tem até pastor (pastor?!) distribuindo preservativos para os jovens com a desculpa de que “é melhor não fazer, mas se fizer, faça com segurança”. “Bons tempos” esses, em que há crentes que não sabem distinguir entre a hora de jogar futebol e a hora de ir ao templo para aprender mais de Deus, adorá-lo e ser usado por Ele através de seus dons! “Bons tempos” esses em que a dança, seja ela “espiritual” ou carnal mesmo, se tornou a hora mais importante do culto, com direito a assobio e tudo mais enquanto que a Palavra tem seus dez minutos com uma pequena pausa para uma piadinha descontraída que faz os crentes rirem, talvez da própria desgraça (Ap 3.17)! Não sou um moralista irmãos (é errado ser moralista?) estou apenas procurando ser o mais bíblico possível.

Bom, não estou aqui aqui para apontar erros, se o fizesse não acabaria nunca de escrever, quero apenas alertá-los de que o reino de Deus é coisa séria, somos, ou pelo menos deveríamos ser, o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5.13-16) e não dá pra brincarmos de ser crentes! Deus quer levantar uma igreja influenciadora e não uma que é influenciada; Uma igreja que arrebenta as portas do inferno e não uma que escancara as suas portas para o mesmo (Mt 16.18). Precisamos ser menos golpel e mais crentes, crentes no sentido bíblico e não nesse sentido vulgar que se adotou de uns tempos para cá. Limites são imprescindíveis para a saúde espiritual de uma igreja, proibições são necessárias, desde que fique bem claro que o que salva não é a obediência a regras, mas sim a graça de Cristo que nos ensinou a carregarmos uma cruz e que deveríamos tomar sobre nós o seu jugo que é suave e seu fardo que é leve, mas que continuam sendo um jugo e um fardo, ou seja, uma vida limitada pela vontade do Senhor, pois somos os seus servos (Mt 10.38; 11.29,30) e uma vida de luta e muitas vezes de dor, pois os servos do senhor passam por asflições (Jo 16.33).

Irmãos, devemos voltar às nossas raízes, mas sem cometermos os erros do passado, não precisamos de revolução, precisamos de renovação, precisamos voltar à primeira caridade (Ap 2.4,19), sendo crentes equilibrados tenho certeza que Deus continuará operando poderosamente em nossa vida!

Na próxima postagem falarei sobre o equilíbrio no uso dos dons do Espírito.

Continua...

sábado, 11 de outubro de 2008

Equilíbrio, um fator decisivo para o serviço cristão (Parte 2)

O perigo do legalismo

"Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." (Mt 11. 29,30)
Este extremo já foi mais defendido no passado, hoje, algumas igrejas ainda conseguem enxergar pecado onde não existe. Proibições a assistir TV e rádio eram comuns há algum tempo atrás e este tipo de extremismo ainda existe em alguns grupos, principalmente no meio pentecostal. Não se ouvia falar em crente ir praia ou ao cinema, teatro, etc. Sabemos que existem coisas erradas sendo mostradas pela TV que nós, servos do Senhor, devemos evitar, mas este é um assunto para o próximo tópico. Quero me fixar por enquanto no extremo do legalismo. O que se percebe neste grupo é um sentimento de zelo pela obra do Senhor só que de forma exagerada. Geralmente são pessoas sinceras que por não terem conhecimento mais profundo concernente à graça divina passam a lançar um fardo extra sobre os lombos uns dos outros enquanto está escrito que o jugo é suave e o fardo é leve quando se está tratando de Cristo (Mt 11.30). É como se o crente estivesse sempre a um passo de perder a salvação, sendo assim, alguns crentes passam a se sentir extremamente frustrados ao tentar cumprir com uma meta inatingível, a de sermos perfeitos ainda nesta vida. Em 1 Jo 2.1 João escreve inspirado por Deus algo confortador para estes irmãos: “MEUS filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo”. É óbvio que se passarmos a viver como antes, quando éramos filhos de belial, estaremos automaticamente fora do reino de Deus, pois quem é filho de Deus não vive pecando (1 Jo 3.6), por outro lado Jesus é nosso Advogado, ou seja, ele intercede por nós junto ao Pai (1 Tm 2.5). Ele nos justifica e santifica pelo Seu sangue, pois o seu sangue nos purifica de todo pecado (1 Jo 1.7).
O legalismo tenta nos fazer acreditar que temos de ser perfeitos e para isso mais proíbe que ensina, o Espírito Santo nos faz entender que não somos perfeitos enquanto estamos neste corpo corruptível e para isso nos ensina como devemos andar e intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). O Espírito nos capacita a andar segundo a sua vontade e não joga sobre nós um peso insuportável. Andemos pois com confiança no Senhor e não em nossas próprias obras e ele nos ajudará em tempo oportuno (Sl 125.1), ele tem cuidado de nós!
Na próxima postagem sobre o tema falarei sobre o perigo do liberalismo.

Clébio Lima de Freitas

sábado, 4 de outubro de 2008

Blog Chama Pentecostal recebe prêmio Buterfly Awards - For the Coolest Blog I Ever Know


Tenho grande alegria em comunicar que o Blog Chama Pentecostal foi indicado pelo blog GQL - Geração Que Lamba ao prêmio Butterfly Awards - Para o blog mais legal que eu já conheci.

Como o prêmio é comunitário, devemos indicar (no mínimo) outros 7 blogs vencedores. Eis aí os indicados pelo Chama Pentecostal:

Blog do Ciro,
Verba volant scripta manent,
Teologia & Graça,
Teologia Pentecostal,
Poder e Autoridade,
Escola Dominical Participativa,
Dicionário do Movimento Pentecostal

Esclareço que, apesar de ter escolhido estes sete blogs, isso não significa que os outros sejam por nós menosprezados. Só podemos é agradecer a Deus por mais uma benção.

As regras para aceitar esta premiação:
1)Colocar este logo no seu blog;
2)Adicionar o link do blog que lhe ofereceu o prêmio;
3)Indicar no mínimo 7 outros blogs;
4)Adicionar no seu blog os links destes outros blogs que acabou de premiar;
5)Comunicar os premiados.

Em Cristo

Clébio Lima de Freitas

Equilíbrio, um fator decisivo para o serviço cristão (Parte 1)

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.” (1 Co 10.23)


Se você é um crente compromissado com o céu, já deve ter percebido o quanto a igreja como instituição mudou, Em alguns aspectos para a melhor, em outros, infelizmente, para a pior. Hoje temos representantes na política, algo inconcebível poucos anos atrás. Temos também irmãos em Cristo se destacando nos esportes e na sociedade como um todo. Não somos mais um grupo de pessoas “ingênuas” e “ignorantes”. O Evangelicalismo brasileiro nunca experimentou tamanho desejo pelo estudo teológico. Temos visto jovens que normalmente perderiam grande parcela do seu tempo em busca de entretenimento com coisas que não convém, preocupados em aprender mais sobre a Palavra de Deus. Em contrapartida temos visto uma grande parcela dos obreiros sendo verdadeiros anões espirituais, pois não buscam mais as manifestações do Espírito e que não chegam nem perto de grandes homens do passado que consagravam sua vida e pagavam o preço pela obra de Deus, estudar Teologia hoje parece até que é mais importante do que estudar a matéria prima da Teologia, a Bíblia Sagrada. Os que ainda restam estão passando para o Senhor e os que ficam não estão se esforçando para seguirem seus exemplos. Em meio a esta regressão espiritual dou glórias a Deus porque apesar de tudo ainda existem profetas que nos alertam sobre os perigos de deixar de buscar a Deus em primeiro lugar (Mt 6.33). Os fatos que apresentei aqui mostram falta de equilíbrio na vida de muitos cristãos e por isso levantarei alguns pontos importantes sobre este importante assunto.
A bíblia nos ensina a sermos equilibrados.
Entre os escritos antigos, creio que não exista outro que mais preze pelo equilíbrio do que a Bíblia Sagrada. Como disse O Senhor a Josué: “... Não te desvies nem para a direita, nem para a esquerda...” (1 Js 1.7) e como afirma nosso amado irmão e profundo ensinador Antônio Gilberto: “O legalismo e o liberalismo levam o homem para o abismo”. A Bíblia não no ensina a sermos pessoas alienadas e sem entendimento, ela nos ensina a buscarmos o reino de Deus e nos promete que todas as outras coisas nos serão acrescentadas. Busque conhecer as histórias de homens de Deus como Charles Finney, John Wesley, D. L. Moody entre outros e verá que eram homens sábios não apenas acerca do reino de Deus, oravam a Deus por horas a fio mas não desprezavam o estudo secular, eram influentes no reino de Deus e na sociedade em sua volta e assim devemos ser. Que possamos dar lugar ao estudo como Paulo que disse a Timóteo: “Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos.”(2 Tm 4.13) e como os jovens hebreus Ananais, Misael, Azarias e Daniel que eram instruídos em toda ciência (Dn 1.4-6).
Nas próximas postagens quero aprofundar-me neste assunto e falarei um pouco sobre legalismo e liberalismo, dois extremos que devemos evitar.
Clébio Lima de Freitas

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Filipe e as missões em Samaria:

“E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo.” (At 8.5)

Introdução:


Queridos leitores, o texto a seguir nasceu da necessidade de se comparar as missões atuais com as missões realizadas pela igreja primitiva. O exemplo de Filipe ilustra o que é, como fazer e por que fazer missões. Em um mundo tão turbado pelo pecado onde até o Evangelho tem sido banalizado, irreverenciado e desprovido da seriedade que lhe devem ser empregados, não nos faltam motivos para falarmos sobre missões de uma perspectiva pentecostal e acima de tudo neo-testamentária, coisas que seriam impossíveis de desvincular-se, pois não há missões sem pentecostes nem pentecostes sem missões e isso é muito bem explicado quando o próprio Cristo nos disse: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” (At 1.8). Você, meu irmão pentecostal, sente prazer em fazer missões, falar de Cristo para seus colegas de trabalho, faculdade, colégio ou para seus vizinhos? Saiba que o Espírito Santo tem se movido na vida de cada crente nestes últimos dias levando-nos a compreender que Cristo está às portas, não resista ao Espírito, anuncie as Boas Novas. “E o Espírito e a esposa dizem: Vem.” (Ap 22.17a).

Mas, por que Filipe?

Por que ele é o exemplo de que não precisamos ser grandes para sermos missionários, não precisamos de renome ou de grande erudição para anunciarmos a Cristo, precisamos apenas sermos cheios do Espírito. Filipe era apenas um diácono (At 6.5) e estava fazendo o papel de evangelista. Isso não é comum em nossos dias? Temos visto homens consagrados ao ministério evangelístico acomodados enquanto que os pequeninos saem às ruas para anunciar o Evangelho, mesmo sem grande preparação. Vejo pastores que não conduzem o rebanho, mas apenas delegam funções e dirigem cultos enquanto vemos uma igreja destroçada e precisando desesperadamente de homens consagrados para conduzir o rebanho do Senhor! Quero mostrar-lhes algumas características da pregação de Filipe que são inerentes à pregação da Palavra movida pelo Espírito e que servem de padrão para analisarmos como estamos diante da presença do Senhor.

1 – Filipe pregava a Palavra mesmo em meio à angustia gerada pela perseguição (At 8.1-5):

Já pensou se fôssemos movidos a anunciar o Evangelho mesmo com a dor do luto em nossos corações? É comum darmos desculpas para não fazermos a obra do Senhor, desculpas do tipo: “Não tenho tempo, preciso estudar”, “Não posso, estou muito ocupado com o trabalho”, “Estou cansado, quando estiver mais disposto irei evangelizar”, “Só eu vou, ninguém quer me ajudar”, etc... Acho que precisamos relembrar que sempre deve haver tempo em nossa vida para Deus e para a sua obra, pois o inferno está à espera dos perdidos que morrem todos os dias sem a salvação que há em Cristo. Acho que esquecemos que nosso descanso não é aqui (Mq 2.10) e que seremos julgados por nossas obras de justiça que houvermos feito para o reino de Deus (1 Co 3.11-15) para que possamos receber nosso galardão. Esquecemos também o que Cristo falou: “... eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mt 28.20b). O diácono Estevão acabara de morrer e os crentes haviam sido dispersos pela perseguição, mas levaram consigo a chama do Evangelho com a qual incendiaram todo o mundo conhecido da época! Talvez se olhássemos para esse grande exemplo não daríamos desculpas tão “esfarrapadas” para Deus.

2 – Filipe anunciava a Cristo (At 8.5):

Hoje em dia é comum ouvirmos algum desses pregadores da prosperidade nos indagarem: “se não pregarmos prosperidade vamos pregar o quê?”. Respondo esta pergunta com o exemplo de Filipe, pois ele pregava, não a prosperidade, as riquezas ou o fim do sofrimento ainda nesta terra, mas sim a Cristo. Lembro-me com estas palavras daquilo que Paulo escreveu aos coríntios: “Mas nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Co 1.23a). Nossa pregação não deve ser baseada nas necessidades do homem, mas na vontade de Deus (2 Co 2.17). Este evangelho antropocêntrico tão combatido pelos verdadeiros homens de Deus têm sido propagado nas TVs e rádios no Brasil e no mundo, fazendo com que o mundo tenha uma idéia totalmente distorcida da realidade. Não é difícil encontrar alguém que nos chame de ingênuos e massa de manobra, pois é esta a imagem que certas igrejas passam de nós nos meios de comunicação, ou você acha que alguém que põe a sua fé no “banho do descarrego” e na “rosa ungida” pode ser considerada uma pessoa inteligente? Se ao menos a Bíblia desse apoio para tudo isso, tudo bem, mas além de a Bíblia não confirmar tais práticas ainda as combate energicamente (2 Tm 4.1-6). Há quem em suas pregações repete as palavras de Gandhi, Platão, Madre Teresa de Calcutá, Sócrates, Aristóteles e outros grandes personagens da humanidade, que todos esses homens e mulheres foram grandes exemplos não nos resta dúvida, mas até os grandes filósofos e religiosos se não atentarem para essa tão grande salvação oferecida por Jesus não alcançarão a vida eterna (Jo 3.18; Hb 2.3). Voltemos a cantar um dos clássicos da Harpa Cristã que diz: “Foi na cruz, foi na cruz onde um dia eu vi meu pecado castigado em Jesus, foi ali pela fé que os olhos abri e agora me alegro em sua luz” (Harpa Cristã, hino de número 15). Cristo ainda é o centro da mensagem da salvação, pois foi ele quem morreu e ressuscitou, dando-nos certeza que suas palavras são verdadeiras, ele é o nosso Eterno Redentor (Jo 3.16)!

3 – Filipe fazia sinais que chamavam a atenção dos ouvintes (At 8.6-13):

Este é o grande diferencial entre um pregador formalista e um que vive a plenitude do Espírito. Os sinais seguem aqueles que anunciam o Evangelho (Mc 16.17,18). Essa verdade tem sido negligenciada pela igreja através dos séculos talvez porque para sermos tão tremendamente usados por Deus precisamos ter também uma vida tremendamente separada para seu serviço. Como diz o hino 244 da Harpa Cristã: “Santidade convém à Igreja, Prá gozarmos celeste amor”. Como o Espírito nos usará para fazermos milagres se entregarmos nossos membros para o pecado? De forma alguma irmãos, o Espírito de Deus é Santo! Como expulsaremos demônios se nos fizermos seus servos? Certamente eles não se sujeitariam a nós, pois deste modo o nome de Jesus seria apenas mais um nome em nossa vida não surtindo efeito algum. Os mais antigos na fé lembram-se de que em nossos cultos, se alguém oprimido entrasse pelas portas da igreja não demorava muito para que o demônio se manifestasse não suportando o poder de Deus que era derramado no templo através da oração. Não digo que o poder de Deus se extinguiu, pois sempre existirá um povo pentecostal, consagrado, que ora e que busca ter mais comunhão com o Senhor.

Conclusão:

Certa vez ouvi o Pr. Antônio Gilberto dizer em um seminário sobre Escatologia Bíblica: “Quando o fogo não pega, o culpado não é o fogo, mas a lenha que não presta”, e aproveito para perguntar: sua lenha é de boa qualidade meu irmão? Neste caso, fogo descerá do céu e o nome do Senhor será glorificado assim como foi depois que Filipe anunciou o Evangelho em Samaria. Continuemos a propagar o Evangelho simples pregado pelos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren que afirmavam com toda convicção: “Jesus salva, cura, liberta, batiza no Espírito Santo e brevemente virá para buscar sua Igreja”. Este é o Evangelho santo, sem tirar nem pôr, anunciemos a Palavra como ela é e os sinais certamente nos seguirão como prometeu nosso amado Salvador Jesus Cristo!

Bibliografia:

[1] Silva, José Apolônio da. Grandes Perguntas Pentecostais, CPAD.
[2] Stamps, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD.

Clébio Lima de Freitas

sábado, 5 de julho de 2008

O Fator Livre-arbítrio em Relação à Salvação do Homem (Parte 1)


Motivei-me a desenvolver este artigo, principalmente, por perceber que existe muito radicalismo por parte de uns e um pensamento distorcido acerca do amor divino por parte de outros em relação a esse tema polêmico tratado pela soteriologia, uns se denominam arminianos, outros calvinistas e parece até que posso ver diante de meus olhos algo muito parecido acontecer na igreja de Corinto (1 Co 3.1ss). É comum ouvirmos alguém dizer: “Calvino estava com a razão”, no mesmo instante um defensor inveterado de Armínio responde: “Que nada! Armínio é que estava certo!”. Será que a Bíblia já perdeu a sua suprema autoridade sobre nós? Afinal, quem está certo é Calvino, Armínio ou a Bíblia Sagrada?!

Antes de mostrar o que a Bíblia diz, quero mostrar os cinco pontos principais do calvinismo e do arminianismo e quero informar que apesar de me mostrar mais voltado ao pensamento arminiano, não me considero um defensor desse pensamento, pois encontro falhas nele, assim como encontro no calvinismo. Como já dei a entender, a Bíblia Sagrada é minha única fonte de verdade infalível e inerrante para o desenvolvimento desse artigo.

Calvinismo:

1 - Depravação Total: O estado de morte espiritual do homem o impossibilita de escolher a salvação;
2 - Eleição Incondicional: Deus elegeu para si alguns dentre todos os homens sem levar em conta seus méritos, boas obras ou fé;
3 - Expiação Limitada: O sacrifício de Jesus serviu para salvar apenas os eleitos;
4 - Graça Irresistível: A vontade do homem não influi na sua salvação, todos os que Deus eleger serão convencidos pelo Espírito Santo a aceitar a fé salvadora;
5 - Perseverança dos Santos: Uma vez salvo, salvo para sempre, portanto, não é possível alguém ser realmente salvo e perder a salvação.

Arminianismo:

1 - Livre Arbítrio: Embora o homem seja pecador, ele tem a capacidade de escolher a salvação oferecida por Deus;
2 - Eleição Condicional: Deus elegeu os homens através de sua pré-ciência, ou seja, ele sabe quais os homens quem corresponderão ao seu chamado;
3 - Expiação Ilimitada: Cristo morreu por todos os homens e não somente por alguns eleitos;
4 - Graça Resistível: Os homens podem resistir à graça de Divina escolhendo o pecado e não a salvação;
5 – Decair da Graça: Qualquer salvo pode, no decorrer de sua vida, perder a sua salvação se não perseverar até o fim.

Não tenho a intenção de tratar de cada ponto das duas correntes, quero me focar no que a Bíblia Sagrada diz a respeito do livre-arbítrio do homem, afinal, era assim que se fazia em Beréia (At 17.11). Vale salientar também que a posição de qualquer que seja o pregador ou a igreja, por mais sério ou séria que possa ser, não pesa mais do que a Palavra de Deus nessa balança (Ef 2.20).

O homem tem a capacidade de escolher entre o bem e o mal?

De acordo com a minha Bíblia, sim. Seria difícil de acreditar que Deus sendo justo, condenaria alguém à perdição eterna por ter feito algo que não poderia evitar, por um caminho que não escolhera por si só (Gn 18.25; Dt 32.4; 1 Jo 3.7). Você lembra-se do que Deus falou ao povo de Israel por intermédio de Moisés pouco antes do mesmo morrer? Deus fez uma lista de bênçãos que o povo de Israel receberia se fosse fiel a ele e uma lista de maldições que os mesmos receberiam se lhe desobedecessem, e no final da profecia ele diz: “Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, Amando ao SENHOR teu Deus, dando ouvidos à sua voz, e achegando-te a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; para que fiques na terra que o SENHOR jurou a teus pais, a Abraão, a Isaque, e a Jacó, que lhes havia de dar.” (Dt 30.19,20 - Grifo meu). Ora, Deus fala a Israel que eles deveriam escolher se queriam o Senhor ou os ídolos, a vida ou a morte, e depois lhes diz que deveriam “dar ouvidos à sua voz e achegar-se a ele” e ainda vem alguém se apoderando de versículos fora de contexto para tentar provar que o homem não tem capacidade de escolha em se tratando da salvação! Porém não posse deixar de falar que o Espírito Santo tem um papel fundamental e indispensável nessa decisão do homem, a Bíblia diz: “E, quando ele [O Consolador] vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.” (Jo 16.8), e diz mais: “Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.” (1 Co 12.3). Acredito que estes versículos postos em contraste com Dt 30.19 dão um nó na cabeça de alguns, mas não há contradição, o que nós percebemos ao lê-los é que Deus capacita-nos a crer nele ao falar conosco por intermédio de sua Palavra (Rm 10.17), mas nós ainda assim, participamos com nosso desejo de salvação, com nossa entrega, com nossa renúncia, com nosso compromisso com ele. É Deus quem toma a iniciativa, afinal, ninguém pode chegar-se a Deus por seus próprios esforços, Deus se revelou ao mundo por seu Filho Jesus Cristo, ele estendeu a sua mão, mas nós não somos obrigados a segurá-la para sairmos da lama chamada pecado, pelo contrário, somos chamados por ele, mas nem todos ouvem sua voz: “Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, Não endureçais os vossos corações, Como na provocação, no dia da tentação no deserto.” (Hb 7,8 - Grifo meu).

Um episódio interessante das Escrituras foi a repreensão que Jesus deu aos escribas e fariseus: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.” (Mt 23.13 - Grifo meu). Agora reflita, se o reino dos céus pode ser fechado por alguém que o anuncia erroneamente de forma que os que são enganados são impedidos de entrar nele, então como pode haver eleição individual para salvação? Desse modo, nada poderia impedir um eleito de ser salvo, nem mesmo um fariseu ensinando meios humanamente impraticáveis de se chegar a Deus! Porém Jesus fala de forma clara que os fariseus estavam impedindo que muitos entrassem no reino dos céus. Isso mostra que para sermos salvos precisamos ser alcançados por Deus ao ouvir o verdadeiro e puro Evangelho. Essa passagem demonstra claramente um desejo, por parte dos prosélitos, de servir ao Deus verdadeiro, mas ainda não o haviam encontrado (ler Rm 10.14-18).

Outro texto interessante sobre o assunto em questão é este: “Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar.” (Gn 4.7). Veja só, o Senhor, depois de o homem ter caído, diz a Caim que ele deveria dominar os seus desejos fazendo uma escolha entre o bem e o mal, por que ele diria isso a Caim se o mesmo não tivesse a capacidade de escolher entre o bem e o mal? Essa é a resposta que nenhum dos que defendem essa idéia jamais me respondeu, nem o podem fazer. Agora veja o que o próprio Deus fala de Israel quando o mesmo vivia em apostasia: “O que imola um boi é como o que comete homicídio; o que sacrifica um cordeiro, como o que quebra o pescoço a um cão; o que oferece uma oblação, como o que oferece sangue de porco; o que queima incenso, como o que bendiz a um ídolo. Como estes escolheram os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações, assim eu lhes escolherei o infortúnio e farei vir sobre eles o que eles temem; porque clamei, e ninguém respondeu, falei, e não escutaram; mas fizeram o que era mau perante mim e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer.” (Is 66.3,4 - Grifo meu). Diante deste texto há o que argumentar? Se o próprio Deus disse que o homem peca porque escolheu o pecado, então eu prefiro crer assim.

Jesus deixou uma ordem clara à sua Igreja: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” (Mc 16.15) e um convite a todos que ouvem sua Palavra: “E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.” (Ap 22.17 - Grifo meu).
Continua...
Na próxima parte dessa série de artigos eu tratarei a fundo, e humildemente, da Doutrina da Eleição.

Bibliografia:

[1]Ciro Sanches Zibordi. Calvinismo ou Arminianismo? (4). Disponível em:
http://cirozibordi.blogspot.com/2007/05/uma-vez-salvo-salvo-para-sempre-parte_24.html. Acesso em 30 de Junho de 2008.
[2]Jorge Pinheiro. A Doutrina da Eleição. Disponível em:
Acesso em 1 de Julho de 2008.

Talvez você goste também de:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...