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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A Ênfase da Pregação Pentecostal (Parte 2)

Como já mencionado na primeira parte deste artigo, muitos reformados afirmam que a ênfase nos dons espirituais dada pelos pentecostais em suas pregações gera cristãos imaturos. É uma tese interessante e que pode gerar no ouvinte incauto a ideia errônea de que, de fato, os pentecostais são imaturos por que não dão ênfase ao novo nascimento, mas à experiência extática do falar em outras línguas. Levantei então uma nova tese, a de que a imaturidade pentecostal se dá pelo fato de as igrejas pentecostais crescerem muito e assim sempre terem em seus quadros pessoas imaturas, assim como pessoas maduras, que aprenderam a serem cristãos maduros com o tempo e através do estudo da Palavra e do agir do Espírito Santo. Minha missão é, nesta e nas próximas postagens, tentar provar minha tese sem desprezar a dos meus irmãos reformados, já que admiti que isso aconteça, e é um desvio doutrinário sério, mas não é a razão principal da tão alardeada e criticada “imaturidade pentecostal”. Seguem então abaixo meus argumentos:

1 - A ênfase da Pregação Pentecostal é a salvação em Cristo.

Isso mesmo, a ênfase da pregação pentecostal não é o revestimento pentecostal em si, mas a salvação em Cristo, de fato, pelas próprias Escrituras, o revestimento de poder do alto vem para capacitar o cristão a anunciar o Evangelho. Veja o que está escrito em Atos 1.8:

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra".

De fato, pelas Escrituras, entendemos que o batismo com o Espírito Santo dá ao cristão autoridade e capacidade para anunciar o Evangelho. Logo, tudo gira em torno do Evangelho. Veja outro texto enfático sobre isso:

E lhes disse: "Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vocês são testemunhas destas coisas. Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto". (Lucas 24:46-49)

Em Atos, no dia de pentecostes, a promessa se cumpre e veja o que Pedro afirma:

Pedro respondeu: "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para todos quantos o Senhor, o nosso Deus chamar". (Atos 2:38,39)

Percebeu que a promessa do revestimento de poder tem como finalidade a pregação do Evangelho? Percebeu também que ela vale para todo cristão?

Quando eu conheci a Cristo, numa igreja pentecostal, não fui apresentado ao evangelho das línguas estranhas ou da profecia pós-escritura, fui apresentado ao Evangelho de Cristo, à salvação em Cristo pela graça mediante a fé. Posteriormente fui apresentado à doutrina dos dons espirituais e convidado a buscá-los para anunciar o Evangelho com poder. Depois de algum tempo, o experimentei, e é claro que algumas lições tiveram de ser aprendidas em relação aos dons, tive de sujeitar minhas experiências à Palavra e isso não é fácil. Tive como auxílio irmãos que puderam me orientar, e a própria teologia pentecostal. Sei que muitas igrejas supervalorizam os dons espirituais, como se o fim do Evangelho fosse o falar em línguas estranhas, mas esse é um desvio da própria doutrina pentecostal e que deve ser combatido nas igrejas carismáticas como um todo. Como vemos, apesar de esse desvio doutrinário existir em muitas igrejas pentecostais, o pentecostalismo histórico resiste, tanto que pude alcança-lo.

Nas próximas postagens me aprofundarei mais na questão da “imaturidade pentecostal”.


Paz do Senhor Jesus!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A Ênfase da Pregação Pentecostal (Parte 1)

Em discussão sobre a atualidade dos dons do Espírito com alguns irmãos reformados, o que mais se ouve dos muitos comentários contrários ao Pentecostalismo é a tal “ênfase nos dons”, que estaria afundando o pentecostalismo. Creio eu que querem dizer com isso que o novo convertido pentecostal não é levado a buscar, em primeiro lugar, a transformação de caráter, antes os dons e assim a transformação de caráter fica prejudicada. É bem verdade que há no meio pentecostal muitos crentes e também obreiros meninos na fé, mas fico a me perguntar se o motivo é exatamente esse.

Há pelo menos três motivos para um cristão não crescer espiritualmente falando: falta da Palavra pregada no púlpito (Jo 15.3); falta de vida devocional através da oração, reflexão e jejum no seu lar (Gl 5.16); falta do exercício da fé através da evangelização e atuação ministerial (2 Tm 2.3-6). Resumidamente, se a igreja não proporciona ao crente o estudo da Palavra de uma forma minimamente profunda e abrangente, ou se o cristão não mantém uma vida de comunhão com Deus, ou, se fazendo essas duas primeiras, não leva à sua vida cotidiana o que aprendeu, esse cristão não crescerá espiritualmente, será eternamente um menino na fé ou o seu crescimento se dará muito lentamente.

Sei que há uma distorção no meio pentecostal que leva muitos a cometerem esse grave erro de supervalorizarem os dons em detrimento da regeneração, em detrimento de se tornarem a cada dia mais parecidos com Cristo no caráter. Os cristãos de Corinto cometeram esse erro e Deus nos deu, por causa disso, a 1ª Carta aos Coríntios de presente através do ministério de Paulo. A ênfase da pregação Cristã deve ser esta: que Cristo se sacrificou por nós, para perdoar nossos pecados e nos regenerar, pois estávamos, e muitos estão, mortos em seus delitos e pecados (Jo 3.16; Ef 2.1). Diante disso, gostaria de levantar outra hipótese quanto à falta de maturidade dos pentecostais, não deixando de levar em consideração a dos meus irmãos reformados. Será que essa meninice não tem a ver, em grande escala, com o fato de as igrejas pentecostais crescerem muito, tendo em seus quadros sempre pessoas imaturas que estão crescendo e aos poucos deixando de lado essa imaturidade ao longo do tempo? Assim o pentecostalismo sempre terá meninos na fé fazendo meninices e também crentes maduros, que se opõe a essas meninices. Será que essa hipótese tem fundamento? Ou será que é mera especulação deste blogueiro para fugir do debate sobre os famigerados “problemas ocasionados pelo entendimento de que os dons são atuais”?

Fique atento ao blog Chama Pentecostal, pois tentarei responder esse questionamento em minhas próximas postagens.

Em Cristo,

Clébio Lima de Freitas

sábado, 11 de janeiro de 2014

O Poder de Arrepender-se


Jesus, porém, ouvindo que João estava preso, voltou para a Galiléia; E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, Junto ao caminho do mar, além do Jordão, A Galiléia das nações; O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou. Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mt 4:12-17)

1 - O que é arrependimento?

Segundo o dicionário Priberam, um dos significados de arrependimento é mudar de intenção ou de ideia. Também traz a ideia de contrição, estar insatisfeito com algo, ter pesar de algo, que é o conceito mais usual do termo. O conceito secular do termo não está errado, quando nos arrependemos de algo, antes sentimos contrição, pesar, muitas vezes remorso, vergonha mesmo de termos praticado algo, porém Deus não está pensando em um sentimento quando nos manda nos arrependermos, Ele quer que mudemos de direção, que voltemos atrás, ou que voltemos ao caminho certo antes percorrido. Fazendo uma busca simples em uma Bíblia digital, pude contar mais de 20000 menções a este termo ou a similares, o que nos mostra o quanto há necessidade de arrependimento.

2 – O arrependimento bíblico é impossível fora de Cristo.

Como já havia dito antes, o termo arrependimento em sua acepção secular é um tanto diferente da acepção original da palavra. Deus quer que o homem natural, morto em seus delitos e pecados (Ef 2:1), arrependa-se de seu caminho e se volte para o Único Caminho (Jo 14:6). Aos homens, piedosos ou não, foi dada a consciência, assim todos sabem, em certo nível, o que é certo e errado, é por isso que existe a concepção de remorso ou pesar por algo de errado que fizemos. O homem sabe quando erra e tem consciência do que é justo e injusto, porém continua pecando porque não possui forças para vencer a força do pecado em sua vida (Rm 7). Na primeira parte do texto base, está escrito que “O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou” (v 16). O Evangelho, as boas novas, tem esse nome porque trouxe aos homens a possibilidade de mudança, de arrependimento verdadeiro, de deixar de lado o caminho mal e fazer a vontade de Deus, “aos que estavam assentados na região e sombra da morte, a luz raiou”. No versículo seguinte está escrito “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (v 17), Deus está nos dizendo que desde então podemos nos arrepender de nossos pecados e mudarmos de direção porque é chegado o reino dos Céus, “Cristo em vós, esperança da Glória” (Cl 1.27). O que era impossível aos homens, é possível a Deus (Mt 19:26).

3 - O poder de arrepender-nos é um sinal de Cristo em nossas vidas.

Muitos dizem que são de Cristo, mas não são. Cristo disse “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.(Mt 7:21) Essa mensagem parece dura, mas é verdade. Porém, como já foi dito antes, é impossível ao homem viver em santidade sem a cruz de Cristo, assim também é verdade que quem tem a Cruz de Cristo, vive em santidade diante de Deus e isso é possível pelo Espírito de Deus que ele derramou sobre sua igreja (At 1:8) e que habita em cada servo dele (Jo 14:23; Ef 2:22; Rm 8:9). O Evangelho tem poder de libertar todo aquele que crer (Rm 1:16). Todo o que crer no Evangelho de Cristo se arrependerá, será transformado e essa transformação é um sinal de que Deus vive nele através do seu Espírito que foi prometido por Cristo (Jo 14:16).

Conclusão

Deus quer que nos arrependamos, o arrependimento não é mero sentimento de pesar por algo errado que fizemos, mas o ato de voltarmos atrás, mudarmos de atitude. O arrependimento verdadeiro só é possível em Cristo e a transformação verdadeira é um sinal, uma prova de que Deus habita em nós e nos dá poder para vencer o pecado.


Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. (Rm 8.1-4)

domingo, 9 de setembro de 2012

O Burro e os Doutores


Amados,

Depois de um bom tempo sem postar, recebi um texto interessante do irmão Jaime Dias da Silva, de Curitiba, PR. É um texto engraçado e desafiador, pois fala do contraste entre a sabedoria de Deus e a sabedoria humana. Os erros grosseiros cometidos por homens que se julgam doutores e agem como leigos, por o serem, no campo espiritual. Não é um texto contra a Teologia, mas contra o mal uso desta. Vale salientar que não estou abonando todas as tendências teológicas do amado irmão, mas o respeito e o texto, certamente, é edificante. Boa leitura. 

O Burro e os Doutores


“Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu AS COISAS VIS deste mundo, E AS DESPREZÍVEIS, e AS QUE NÃO SÃO, para aniquilar as que são.” I Co. 1:27-28.

Bom estudo, Deus te abençoe em Graça e em conhecimento.

A Bíblia nos apresenta um grande contraste entre O BURRO E OS DOUTORES RELIGIOSOS (nem todos), mostrando quem é o mais sábio e quem é o mais burro.

NO ANTIGO TESTAMENTO, UMA JUMENTA MOSTROU-SE QUATRO VEZES MAIS SÁBIA QUE O PROFETA BALAÃO. Nm. 22 a seg.

1). A jumenta teve “VISÃO ESPIRITUAL” para enxergar três vezes o perigo antes do profeta. Nm. 22:33.
Já Balaão, na sua “visão carnal” agiu como um verdadeiro animal irracional, espancando a jumenta três vezes. Nm. 22:28.

2). A jumenta mostrou “FIDELIDADE” ao seu dono, deitando-se debaixo dele para protegê-lo da espada do Anjo do Senhor. Nm. 22:27. Já Balaão, mostrou-se “infiel” aos longos serviços da sua cavalgadura. Além de espancar a jumenta por três vezes, teria a matado se tivesse uma espada na mão. Nm. 22:28-30.

3). A jumenta mostrou-se “DIGNA”, por Deus usar a sua boca, para falar ao profeta. Nm. 22:28. Já Balaão, mostrou-se “indigno”, mesmo profetizando a Balaque o rei dos moabitas, seu coração estava no ouro e na prata do rei, atraindo a ira de Deus para si. Nm. 22:21-22.

4). A jumenta na sua “SABEDORIA” teria escapado com “VIDA”. Já Balaão, na sua “irracionalidade” teria “morrido” nela. Nm. 22:33.

NO NOVO TESTAMENTO UM JUMENTINHO MOSTROU-SE CINCO VEZES MAIS SÁBIO QUE OS DOUTORES DA RELIGIÃO. Lc. 19:1-41

1). O jumentinho vivia “PRESO” no pasto, esperando o chamado do Senhor. “E disse-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis PRESO UM JUMENTINHO...” Mc. 11:2.

Já os doutores da lei, viviam e vivem “ASSENTADOS” na cadeira de Moisés, esperando fazer discípulos, para a sua religião. “...Na cadeira de Moisés estão ASSENTADOS OS ESCRIBAS E FARISEUS. Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam.” Mt. 23:2-3

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que percorreis o mar e a terra PARA FAZER UM PROSÉLITO; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais que vós.” Mt. 23:15.

2). O jumentinho, sem nunca ter sido domado aceitou com humildade a monta de Jesus. “Dizendo: Ide a aldeia que está defronte, e ai, ao entrar, achareis preso um jumentinho em que NENHUM HOMEM AINDA SE ASSENTOU; soltai-o e trazei-o.” Lc. 19:30

Já os doutores religiosos, que deveriam ser conhecedores de Deus, na sua soberba recusaram e recusam até hoje, O JUGO DE JESUS. “Veio para o que era seu, E OS SEUS NÃO O RECEBERAM”. Jo. 1:11

3). O Jumentinho foi “ÚTIL” para a obra de Deus, servindo de cavalgadura para o Senhor. “E trouxeram-no a Jesus: E, lançando sobre o jumentinho os seus vestidos, PUSERAM JESUS EM CIMA.” Lc. 19:35.

Já os doutores da lei, foram “inúteis” servindo e servem até hoje, de “pedra de tropeço” para o Evangelho do Filho de Deus. “Então alguns DOS FARISEUS diziam: Este homem não é de Deus; POIS NÃO GUARDA O SÁBADO...” Jo. 9:16.

4). O jumentinho trouxe Jesus para dentro de Jerusalém, contribuindo com sua glória. 

“E quando já chegava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto.” Lc. 19:37

Já os doutores religiosos expulsaram Jesus de Jerusalém, fazendo-o carregar uma cruz, contribuindo para sua vergonha. “Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos, E DOS PRINCIPAIS DOS SACERDOTES, redobravam”. Lc. 23:23

“E levando ele às costas a sua cruz, SAIU para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota. Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.” Jo. 19:17-18

5). O jumentinho ou qualquer que FIZER ALGUMA OBRA em prol do Reino de Deus, de modo algum perderá o seu galardão. “E qualquer que tiver dado SÓ QUE SEJA UM COPO D’ÁGUA FRIA a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que DE MODO ALGUM PERDERÁ O SEU GALARDÃO.” Mt. 10:42

Por sua vez, os doutores da religião de todas as gerações, que torcem a Palavra de Deus para satisfazer suas ideologias e deleites próprios, também receberão seu galardão: O DA INJUSTIÇA. (II Pe. 2:13). “Serpentes, raça de víboras! COMO ESCAPAREIS DA CONDENAÇÃO DO INFERNO? Mt. 23:33

MORAL DA HISTÓRIA
Um burro com Jesus é mais sábio que um doutor religioso. Um doutor religioso sem Jesus, torna-se um verdadeiro burro. Disse o Senhor Jesus: “...PORQUE SEM MIM NADA PODEIS FAZER.” Jo. 15:5b.

Jaime e Júlio – Curitiba Pr.

http://estudosbiblicosjj.blogspot.com

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A Importância da Apologética Cristã

Como já disse em minha postagem anterior, vivemos tempos trabalhosos, assim diz a Escritura:

“Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade.” (2 Timóteo 3:1-7).



Você percebeu alguma semelhança com os dias atuais? É, a Palavra de Deus é infalível. O principal problema relacionado a esses tempos trabalhosos é o pecado, que leva o homem à rebelião contra seu Criador, contra seus princípios e vontade, levando este homem a uma vida problemática e a uma futura condenação eterna inevitável, ao não ser pela graça de Cristo, que morreu em nosso lugar e ressuscitou, provando-nos que sua Palavra é verdadeira. Crendo em Cristo, nossos pecados são perdoados e temos a oportunidade de crescermos em Cristo, de gória em glória (1 Co 10.31), em direção à estatura de varão perfeito, como Cristo é enquanto homem (Ef 4.13). O homem religioso, que pode ter até aparência de piedade, mas negando a eficácia dela (2 Tm 3.5), tem como prioridade a satisfação de seus desejos, de suas necessidades, e não o crescimento na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo (2 Pe 3.17,18), ou em fortalecer-se no Senhor e na força de seu poder(Ef 6.10). Ele quer o Jesus salvador, mas não o Jesus Senhor. Ele quer ser cabeça e não cauda, mas ignora o mandamento apostólico de buscar as coisas humildes e não as altas (Rm 12.16). Ele quer ser curado, mas não quer admitir que Deus é soberano (2 Co 12.9). Quer o melhor desta terra, mas deixa de lado o mandamento bíblico de ajuntar os tesouros dos céus e não os da terra (Mt 6.19-21). Em contraste com este homem, que não conhece a Cristo e não é conhecido dele (Mt 25.12), há o homem que foi transformado pela graça de Cristo e que faz exatamente o contrário do primeiro, pois tem aparência de piedade e é piedoso de fato (1 Jo 2.21), tanto que prova isto experimentando uma transformação autêntica (Tg 2.26). Este segundo homem prioriza a vontade de Deus, assim como Cristo fez (Mt 26.42). Ele sabe que as dádivas espirituais em Cristo são melhores que as terrenas, mas não as despreza, sabe pô-las em seu devido lugar (1 Tm 6.10). Ele sabe que acima dele está o Senhor do Universo e que temos autoridades acima de nós que devemos respeitar (1 Pe 5.6; Rm 13.1). Enfim, este segundo homem não possui méritos próprios, logo nunca será reconhecido pela maioria como o maior, o melhor, o astro, o grande, ou outros títulos dados aos que falam o que o homem não transformado quer ouvir (2 Tm 4.3).


Você deve estar se perguntando: o que essa falação toda tem a ver com Apologética Cristã?
 E eu digo: tudo e mais um pouco. O vocábulo “Apologética“ é uma derivação do vocábulo “apologia”, que vem do grego απολογία e significa “defesa verbal”. A apologética teve importante papel na história da Igreja Cristã, já que sempre houve ataques de fora ou mesmo heresias em seu seio, assim as defesas da Sã Doutrina foram fundamentais para a formação das doutrinas como as conhecemos hoje. Assim alguns nomes como Ário, Montano, facções citadas por escritos apostólicos, como os “da circuncisão” por Paulo, e heresias combatidas como o gnosticismo, já por João e posteriormente pelos Pais da Igreja nos séculos diretamente posteriores à ascensão de Cristo puderam ser combatidas e a saúde doutrinária da Igreja, preservada. A Apologética Cristã nasceu da necessidade dos cristãos de defenderem a Fé Cristã de ataques de dentro e de fora, por meio de uma argumentação racional que abriu o caminho para a sistematização do conhecimento bíblico, ou seja, para a Teologia Cristã.

Considerações Importantes sobre a Defesa do Evangelho

1 - Dar nome “aos bois” às vezes é imprescindível:
Infelizmente, por vezes não adianta apenas dizer que um ensino está errado ou que segui-lo pode gerar morte espiritual ou uma decepção lá na frente. Dar exemplos claros, de forma que todos possam compreender, pode salvar uma vida do engano das heresias, porém esta explicitação deve levar em conta que o mais importante é mostrar a verdade, e não, mostrar que o fulano-de-tal está errado. Há uma grande diferença entre evidenciar a verdade e difamar as pessoas. Por outro lado, existem casos em que simplesmente mostrar que um ensino é errôneo já basta, principalmente quando já há um entendimento, mesmo que inconsciente ou raso de que o ensino não condiz com as Escrituras ou quando se trata apenas de um deslize não tão grave e que pode ser cometido por qualquer um. Jesus nunca citou um nome específico referindo-se a heresias, porém várias vezes censurou os fariseus, saduceus, e até mesmo muitos discípulos que queriam segui-lo apenas para satisfazer seus desejos carnais (Jo 6).

2 – O criticar nem sempre é falta de amor:


O amor sempre evidencia a verdade (1 Jo 2.21). quem ama não quer ver quem se ama perder a vida eterna. Um verdadeiro servo de Deus sabe falar a coisa certa na hora certa com amor e compreensão (Cl 4.6), assim como sabe ouvir um bom conselho e ser humilde o bastante pra aceitá-lo e tentar mudar (Hb 3.13). Existem pessoas por aí afirmando serem apologetas, porém não demonstram amor por aqueles a quem criticam, assim como há verdadeiros apologetas cristãos achincalhados por tão somente apontarem erros doutrinários graves que evidenciam problemas em ministérios de pregadores ou cantores famosos. O grande problema, nesse caso, é que muitos acreditam que não precisam mudar por Deus estar "confirmando" o tal ministério por meio de milagres, vidas transformadas, etc.. Assim, que me perdoem, estão demonstrando não terem amor pelo Deus que pretensamente os chamou. Um servo de Deus sempre precisa mudar em algum aspecto, e para isso Deus chamou seus servos para anunciarem sua Palavra, quer lhes agradem ou não.



3 – Julgar nem sempre é errado;

Jesus ensinou que não devemos julgar de forma temerária, ou seja, que não devemos caluniar, dizer que o fulano-de-tal fez o que ele não fez, ou espalhar o erro do irmão, do qual já se tem provas, só por maldade (Mt 7.1-5). Quando o erro se torna rebeldia e está ameaçando a saúde espiritual de nossos irmãos em Cristo, não há outro jeito, se não explicitar, trazer à tona, porém com responsabilidade. Em outras passagens bíblicas vemos ordens explícitas de julgarmos e foi pra isso que Deus nos deu discernimento (Mt 18. 15-17).


Conclusão:

Apologética Cristã significa defesa do Evangelho. A Igreja por vezes teve de opor-se severamente contra heresias inclusive citando nomes ou grupos de heréticos. Os dias atuais pedem ações enérgicas da Igreja em relação à apologética, pois doutra forma, as heresias arrebatarão milhões de cristãos da sã doutrina. Deus nos deu discernimento para julgarmos com responsabilidade e amor.

"Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça." (João 7:2).

Em Cristo,

Clébio Lima de Freitas

sábado, 14 de janeiro de 2012

Tempos trabalhosos para a Igreja


Vivemos dias difíceis, nos diz as Escrituras (1 Tm 3.1-9). Pode parecer exagero, mas não houve, a meu ver, tempo mais cheio de dificuldades em se servir a Deus do que os dias atuais. Não digo isso apenas por estar assim escrito, mas por entender que o pecado jamais foi tão acessível e divulgado quanto hoje, nem o mundo, tão aberto ao mesmo. Historicamente há um decréscimo no senso comum de moralidade provocado pela propagação de ideias e hábitos “revolucionários” como a legalização do aborto, liberdade sexual (o que envolve homossexualidade, fornicação, adultério, divórcio, pornografia, pedofilia, etc..). Não é à toa que o Senhor Jesus afirmou que “por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mt 24.12), pois tudo isso está entrando sorrateiramente no seio da igreja e até mesmo da boca de ditos cristãos é possível ouvirmos defesas desses costumes mundanos. Mas não se engane, pois aquele que é de Cristo possui “a mente de Cristo” (1 Co 2.16). Junto com esses costumes mundanos, acrescentem-se as heresias e modismos que nos assolam e entorpecem, deixando-nos a falsa impressão de que vai tudo bem, de que é normal um “ungido” do Senhor ter posições equivocadas acerca mesmo de doutrinas cristalinas como a divindade de Cristo, a pessoalidade do Espírito Santo de Deus, ou a soberania de Deus, ou até mesmo que, se o tal “ungido” pode realizar milagres, Deus está aprovando seu ministério mesmo o tal estando em desacordo com sua Palavra. Não esqueçamos de que Jesus Cristo disse: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:22-23). Sigamos o exemplo dos apóstolos que apresentavam a Cristo sempre como o cerne da mensagem (At 2; 1 Co 2.2). Amado em Cristo, quer um conselho? Se entregue a Cristo como se ele fosse voltar agora. Pregue a Palavra dele como que a moribundos. Peça a Deus um dom espiritual ou graça para servi-lo com os que ele já lhe deu. Estude a palavra como quem toma o último copo de água disponível no deserto. Adore a Deus com toda sinceridade e, se você sentir que não tem tanta sinceridade assim, conte a ele e o adore mesmo assim. É tempo de servir a Deus como nunca antes!

Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;” (Hebreus 3:13)

domingo, 26 de junho de 2011

Meu posicionamento quanto ao PL 122/2006

O PL 122/2006 é o assunto do momento no meio evangélico brasileiro. Da autoria de Iara Bernardi, ex-deputada petista, o projeto de lei tenta aumentar as punições contra crimes de discriminação aos homossexuais. O texto da lei levanta questões polêmicas como a garantia da liberdade dos homossexuais de expressarem sua afetividade em público e a possibilidade de punições contra quem nega emprego, atendimento de serviços, etc. Na verdade, muita coisa do que é posto na lei já seria garantido pela constituição, mas agora os “crimes de homofobia” tem o mesmo caráter dos crimes de racismo. Entre os textos mais criticados pela classe evangélica temos:

Acrescenta também ao art. 20 o § 5º, com a seguinte redação: O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”

Veja bem, se o homossexual, ao ouvir de alguém que homossexualismo é, de alguma forma, ruim. Se a argumentação for de ordem moral, filosófica, ética ou psicológica, mesmo que seja uma abordagem respeitosa, e se o homossexual se sentir violentado, constrangido, intimidado ou vexado, poderá recorrer à justiça. Ou seja, é um texto que gera várias interpretações. Como o mundo tende a contrariar qualquer tipo de moralismo, a pregação cristã será certamente interpretada como desobediência a essa lei. Se um casal homossexual tentar marcar um casamento numa igreja evangélica ortodoxa e o pastor não aceitar fazer o casamento, poderá ser preso. Se ele disser, numa pregação, que homossexualismo é pecado, poderá sim, ao contrário do que dizem, ser preso. É uma questão de interpretação. Outro trecho da lei diz: 

"Art. 8º-A Impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público, em virtude das características previstas no art. 1.º desta Lei."

Se um casal, homossexual ou não, entrar uma igreja (um local privado aberto ao público) e começar a se beijar ou a se acariciar, e o pastor pedir que o casal pare com o ato (já que isso seria considerado impróprio mesmo para um casal heterossexual), poderá ser preso por tentar impedir uma manifestação publica de afeto.

Tudo isso é claramente uma forma de impedir a liberdade de expressão religiosa, algo garantido pela constituição. Mas existem outras críticas à lei e é nesse ponto que quero chegar. Existe no Brasil evangélico um movimento a for da família e contra o PL 122/2006. Eu vejo isso com bons olhos, já que, se dependesse de mim, as famílias seriam todas heterossexuais, organizadas, onde os homens fossem verdadeiramente chefes de família, carinhosos com os filhos e as esposas, onde as mulheres fossem submissas e sábias, onde a Palavra de Deus fosse um norte, onde não entrassem drogas e as crianças fossem bem educadas e obedientes. Tudo isso seria ótimo, porém nem tudo são flores. As pessoas pecam e esse mundo sempre tenderá ao pecado mais que a servir a Deus (1 Jo 5.19). Sabemos também que, sempre que a igreja tentou dominar o mundo e impor o Cristianismo, o mundo não melhorou, muito pelo pelo contrário, piorou. A exemplo disso temos a dominação do Império Católico Romano onde a igreja se contaminou com a política e passou a matar pessoas e a enriquecer às custas do dinheiro de pessoas miseráveis e sem entendimento, exploradas pelo sistema religioso da época.

Na verdade, não é obrigação da igreja impor o Evangelho à força. A salvação é um evento sobrenatural e é somente pela ação do Espírito Santo de Deus que o homem natural decide obedecê-lo (Rm 8.1; 1 Co 5.17). Logo, não concordo com a atual investida da igreja brasileira para impedir o casamento homossexual. Isso só gerará ódio, conflitos e frustrações, já que essa é uma tendência mundial que se concretizará com o consentimento da igreja ou não. Outra coisa que considero extremado, é a tentativa de impedir a adoção de crianças por homossexuais. Mais uma vez digo, se dependesse de mim, as crianças seriam criadas por um pai e uma mãe, porém entendo que é melhor uma criança ser educada por dois “pais”, ou duas “mães”, do que ficar a infância toda em um orfanato, sendo educada muitas vezes por pessoas que não as amam ou que não tem tempo de dar afeto a tantas crianças ao mesmo tempo.

A formação da família nos moldes bíblicos, a necessidade de uma criança ter referências de um pai e uma mãe, a necessidade dos seres humanos de terem um companheiro do sexo oposto para serem verdadeiramente felizes, etc. podem ser defendidas por nós quando questionados sobre isso, mas repito, isso não pode ser imposto pela igreja, mas sim ser algo a ser aceito pelas pessoas através da pregação do Evangelho. Não vamos conseguir impedir que os homossexuais consigam se casar ou adotar crianças. Talvez consigamos isso por algum tempo, mas não para sempre. A pessoas devem ter liberdade para seguirem o caminho que quiserem, por mais que entendamos que escolher tais caminhos (como o do homossexualismo) não implica em realmente ser livre. Pra terminar, a PL 122/2006 possui pontos que considero importantes de serem combatidos pela igreja, no caso, os trechos que citei acima que tentam, de alguma forma, abrir uma brecha na constituição para perseguir a pregação cristã. Isso sim eu considero um motivo pra intervirmos de forma ativa na política. Continuemos combatendo os pontos errôneas do projeto de lei aludido, mas com coerência e amor, do contrário, não seremos ouvidos pela sociedade.

Respeitosamente,

CLF

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