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domingo, 26 de abril de 2015

Qual briga devemos comprar?

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Tenho lido textos e assistido vídeos sobre política ultimamente, eu gosto de ouvir os dois lados, porque entendo que ninguém é dono da verdade. Tenho sempre tentado enxergar os caminhos do Brasil nas teses que eu tenho estudado. Eu aprendi a ouvir mais do que a falar, talvez pelo ambiente hostil ao qual eu sempre fui submetido como conservador em meio a liberais (quando falo em liberais, me refiro à moral e não à ideologia política, não há muitos politicamente liberais no Brasil), e me especializei mais em escrever do que em falar. Eu normalmente não sou bom em debates porque o meu raciocínio é lento e eu gosto sempre de remoer algo bastante antes de dizer o que penso sobre o assunto, e mudei muito de opinião sobre questões polêmicas tais como casamento homossexual, aborto, celulas tronco, entre outras, não em relação a elas propriamente ditas, mas á forma de tratar delas. Normalmente passeio um pouco entre o pensamento liberal e o conservador, pois entendo que a moral deve ser preservada se queremos progredir como sociedade, mas vejo essa mesma moral ameaçada quando dou poder ao Estado para controlá-la, isso é perigoso. Quero dar uma opinião sobre a questão da moral cristã em contraste com a liberdade apregoada pelo liberalismo político e sinceramente, nunca vi ninguém falar nada parecido com o que vou dizer, muito embora ache que algumas pessoas pensem como eu, mas não queiram expor seu pensamento, ou não o consigam. Percebo que, em debates, o pensamento cristão sai em desvantagem principalmente porque é preciso tempo e uma linha de raciocínio bem clara para expormos nossa maneira de pensar e nossos rivais não nos deixam concluir nosso raciocínio, uma interrupção seguida de uma acusação infundada tira qualquer um do sério... Essa é sem sombra de dúvidas uma das razões pelas quais eu prefiro escrever do que debater, já que ninguém me interrompe enquanto escrevo, já enquanto falo…
Afinal qual é a razão de os evangélicos estarem sendo bombardeados hoje por todos? Pensamos que a imoralidade para a qual caminhamos nos levará à derrocada de nossa sociedade. Entendemos que a família heterossexual deve ser a única existente, que crianças não devem ser assassinadas dentro do útero de suas mães, que a dignidade humana deve ser preservada, mesmo que em estágios iniciais de nossa existência. É assim que pensamos e é isso que pregamos e não temos a menor intenção de obrigarmos quem quer que seja a pensar como nós ou a agir como nós. Apenas queremos ter o direito de nos expressarmos sobre isso a fim de tentarmos convencer a muitos pela pregação. Por conta desse processo de pregação e de conversão de muitos à nossa forma de pensar, temos alguns atritos com outras filosofias e daí surgem os embates, afinal estamos crescendo e isso assusta a  muitos.
Daí vem a questão de nós os protestantes, conservadores que somos, sempre tendermos a nos aproximar dos liberais, já que assim garantimos nosso direito de livre expressão e de livre prática religiosa, fora do liberalismo, estaríamos ferrados, e pra entendermos isso basta olharmos para a história. Todo sistema político totalitário tende a perseguir qualquer grupo que cresça paralela e independentemente do Estado, como é o caso da Igreja, é uma questão de poder. Isso aconteceu no Império Romano, na Alemanha nacional-socialista, nas nações socialistas atuais. A influência dos líderes cristãos pode fazer desmoronar o poder de qualquer líder político em questão de instantes, logo a resposta é desestabilizar, dividir para conquistar e em última instância, matar mesmo quem quer que se oponha ao regime político. hoje no Brasil estamos sofrendo ainda a primeira fase, a tentativa de desestabilizar.   Quero deixar bem claro que isso não acontece só com a religião, qualquer grupo influente e independente sofre com regimes totalitários.
Tendo tudo isso em mente, cria-se na cabeça de inúmeros cristãos a idéia de coitadismo, de que estamos sendo perseguidos a todo instante e quase que instantaneamente tendemos a recorrer ao Estado para proteger a sociedade da imoralidade em que a sociedade está submergindo para nos protegermos. Algo não muito compatível com a idéia liberal de que as pessoas devem ser livres para serem diferentes, individuais, fazerem o que tiverem vontade de fazer, sem a interferência do Estado, desde que obviamente não interfiram na liberdade uns dos outros. essa é uma questão complexa, já que em tese, a imoralidade não afeta só a quem a pratica, mas a toda a sociedade, logo o conservador entende que está defendendo a todos quando luta contra a imoralidade.
Tenho refletido muito sobre isso e cheguei à conclusão de que estamos partindo de um pressuposto errôneo. Um pressuposto negado pelo próprio liberalismo político e pela nossa fé, mesmo que indiretamente. O de que o Estado é eficiente. Criamos a expectativa tola de que o Estado vai evitar que homossexuais vivam juntos ao não reconhecer o casamento homossexual. Sabemos que o Estado é ineficiente e que não conseguirá barrar uma tendência mundial de ir contra os princípios cristãos. Alguém dirá: mas a questão não é evitar que o ato aconteça, mas evitar que o ato seja incentivado. Ora, o fato de o Estado não reconhecer o casamento homossexual não nos levará a uma diminuição de casos homossexuais, já que, sem o reconhecimento, o homossexualismo continua avançando em aceitação na nossa sociedade. Outro dirá: É uma questão de princípios, o Estado não deve reconhecer algo ilegítimo. Bem, o casamento homossexual é ilegítimo para nós, para eles não, isso nos leva à questão do pensamento liberal, que não somos donos da verdade, apesar de entendermos que estamos certos. Por isso entendo que não faz sentido lutarmos contra essa tendência via Estado. Não estou dizendo que devemos aceitar ou concordar com a prática. Somos livres pra pensar e falar o que quisermos, assim como eles. Chego à conclusão de que estamos lutando em vão não pelo fato de que não possamos conseguir barrar o casamento homossexual, ou o aborto despropositado, ou o uso de embriões humanos para experiências, etc.., mas entendo que mesmo que isso aconteça, as práticas continuarão ocorrendo pelo simples fato de o Estado ser ineficiente.
Acredito que abri um novo precedente na minha discussão. Alguém poderá achar que eu sou um conformado, que acho que as coisas estão caminhando para uma tendência apocaliptica e que não tem jeito de consertar essa bagunça. Eu creio que tem jeito sim, mas também creio que essa mudança é limitada a indivíduos e no máximo a grupos ou até mesmo a grandes massas isoladamente, em termos geográficos, em meio a esses bilhões de habitantes do planeta Terra, mas que pra maioria é mais fácil nadar junto com a corrente. Também acredito que, mesmo com a ineficiência do Estado, há posições pelas quais devemos brigar no congresso, como por exemplo, contra o aborto despropositado, experiências com embriões humanos, afinal, com a vida humana não se brinca, mas não devemos nos limitar a isso. O mais importante é pregar o Evangelho porque é ele que transforma e que muda a mentalidade corrompida pelo pecado. É nesse campo que devemos travar os maiores embates. É aí que está a nossa luta.

Pra resumir, deixo aqui uma declaração que eu tenho o prazer de fazer:

É Cristo que salva!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Conselhos Para Uma Fé Saldável

Seria bom se houvesse uma fórmula que pudéssemos aplicar para termos uma fé saudável, mas Deus não trabalha assim. Não há fórmulas para alcançarmos o que Ele nos dá gratuitamente. Contudo a ação humana em resposta ao chamado de Deus é crucial para crescermos espiritualmente. O que eu escreverei aqui não é novidade para um cristão verdadeiro, mas muitas vezes a carnalidade tenta nos fazer esquecer que elas são importantes.

1 - Reconheça a soberania de Deus:

A frase é comum hoje em dia em relação a posicionamentos históricos da igreja referentes a temas polêmicos como pornografia, fornicação, divórcio, entre outros: "Se não prejudico a ninguém, então qual o problema em fazer?". Isso é racionalismo puro! Deus é soberano, logo se ele afirmou em sua Palavra que algo é pecado, quem sou eu para dizer que não é? Isso faz parte de se ter fé. Eu creio em Deus e no que Ele revelou em Sua Palavra porque  Ele é infinitamente mais sábio que eu ou você e nosso raciocínio limitado nunca vai acompanhá-lo perfeitamente. Com o racionalismo, acabamos por elaborar nosso próprio sistema de regras que acreditamos ser o correto e deixamos de lado aquilo que não conseguimos compreender. É a criatura questionando o Criador. Reconheça que Deus é soberano, que você é só uma criança perto dele e assim a sua graça será abundante em você. Lembre-se que Cristo não fez muitos milagres em sua terra porque seus parentes não criam nele. Não confie em seus próprios instintos. Cristo morreu e ressuscitou por nós porque não éramos capazes de sermos justos por nossa própria conta. Rejeitando nosso eu e aceitando a vontade de Deus em nossas vidas, experimentaremos a graça de Cristo mediante a fé nele!

2 - Busque as coisas do céu, e não as da terra:

Esse é um grande mal da igreja hodierna, se não o pior. Como se tem buscado a Deus nestes últimos dias para favorecimento material/pessoal e não pela necessidade de avivamento espiritual. Jesus disse: 

"Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. "Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são! "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro". (Mt 6:19-24)

A necessidade das nossas almas é de vida em Cristo, e isso só se consegue buscando a ele no âmbito espiritual. É bem verdade que Deus realiza milagres e outorga dons ao cristãos que os buscam, mas esses dons são para que o Evangelho seja propagado com poder (At 1:8;Rm 15:19;1 Co 2:1-5) e não apenas para satisfazer o ego humano com suas efemeridades.

Que possamos a cada dia buscarmos o Reino de Deus em primeiro lugar, e teremos nossas necessidades atendidas, segundo a vontade daquele que nos chamou! (Lc 12:31)

3 - Abençoe aos que Deus colocar no seu caminho:

"Jesus ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens." (Lc 2:52)

Essa é uma verdade pouco proclamada nas igrejas ortodoxas, e tão prontamente praticada por algumas seitas heréticas. Cristo, enquanto criança, crescia em "sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens". Estamos acostumados a buscar crescimento diante de Deus, mas esquecemos de crescer em graça diante dos homens. Busque abençoar os que lhe rodeiam, seja exemplo como foi Dorcas:

"Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, que em grego é Dorcas, que se dedicava a praticar boas obras e dar esmolas." (Atos 9:36)

Sabemos que não são as obras de caridade que nos garantem salvação eterna (Ef 2:9), mas isso não nos exime da necessidade de praticarmos boas obras tanto diante de Deus, como diante dos homens! (Ef 2:10; Hb 10:24; 1Tm 2:10; 5:10; 6:18; Tt 2:14; 3:8,14; Mt 5:16; 6:1; 1 Pe 2:12)

Para o mundo, você dá para receber, como uma forma de barganha, os salvos dão porque receberam (Mt 10:8; At 3:6; 8:18-23).

Conclusão

A fé nos foi dada por Deus e ela deve ser exercitada para que cresçamos e sejamos espiritualmente saldáveis. Devemos estar cientes de que Deus é soberano e não podemos submetê-lo aos nossos caprichos, nem tentarmos servir a Ele e ao mesmo tempo ao mundo, às riquezas, ao pecado. Cristo nos salvou para realizarmos boas obras, para crescermos em graça diante de Deus e dos homens!

A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo. (Tg 1:27)

Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras. (Tg 2:18)



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Uma Resposta Sincera aos Calvinistas de Plantão

Caros calvinistas de plantão,

Pelo que entendo de suas explicações e referências bíblicas citadas, Deus criou os ímpios para a perdição. Por exemplo, Pv 16:4 e Rm 9:13. Porém entendo que o "fazer um vaso para a ira e outro para a misericórdia" tem a ver com a intervenção dEle. Ele endurece (não intervêm no) o coração de quem quiser e tem misericórdia de quem quiser. O fato de eu ter que buscar a Deus para ser salvo não desabona o fato de Deus ter me chamado, escolhido, já que se eu o desejasse sem que ele tivesse misericórdia de mim, de nada adiantaria, foi preciso que ele me reconciliasse consigo. O vocábulo "todos" em qualquer versículo bíblico deve ser levado em consideração assim como qualquer outro. A Palavra de Deus afirma em Rm 5:18:

"Conseqüentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens."

Observando o contexto remoto, podemos concluir que para ser salvo é preciso crer em Cristo e é por isso nem todos são salvos, já que a fé é dada por Deus, lógico, assim como poder para vencer o pecado.

"Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma. (João 15:5).

Só podemos crer, pela Bíblia, que Deus derrama a sua graça sobre todos, mas nem todos correspondem à graça de Deus, antes muitos resistem ao Espírito Santo.

"Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração." (Jeremias 29:13);

"Não apaguem o Espírito." (1 Tessalonicenses 5:19);

"Como Janes e Jambres se opuseram a Moisés, esses também resistem à verdade. A mente deles é depravada; são reprovados na fé." (2 Timóteo 3:8).

Penso assim por muitas razões, a primeira é que, apesar de os versículos usados pelos calvinistas serem bem tendenciosos à predestinação fatalista, observando a Bíblia em sua totalidade, vejo um Deus que não deseja a morte do ímpio, antes, que ele se arrependa e viva (Ezequiel 18:23);

Vejo um Deus todo-poderoso, logo, se ele quer que o ímpio se arrependa e viva, nada o impediria, a não ser, sua própria decisão de não intervir na vida de quem o resistir. Assim, ele continua soberano, não infringindo suas próprias regras. A prova de que Deus partilha de sua graça com todos é o fato de todos terem traços da natureza de Deus, de forma "ofuscada", é claro, bem como o senso comum de justiça e bondade, que é universal.;

Vejo um Deus que não faz acepção de pessoas:

"Pois em Deus não há parcialidade." (Romanos 2:11);

"Não serei parcial com ninguém, e a ninguém bajularei," (Jó 32:21);

"Então Pedro começou a falar: Agora percebo verdadeiramente que Deus não trata as pessoas com parcialidade," (Atos 10:34).

Um fato interessante da teologia de vocês, é que vocês entendem que a prova de que o calvinismo está mais próximo da verdade que o arminianismo (não sou um nem outro), é que os arminianos são todos "um bando de corruptos e desobedientes, que não nasceram de novo". Ledo engano, já que todos os homens e mulheres santos, e conhecedores da graça salvadora de Deus que eu conheço pessoalmente são pentecostais, por tabela, mais arminianos que calvinistas. Na verdade, apesar de crer que há muitos salvos calvinistas, no meu universo de amizades cristãs, todos os cristãos exemplares fogem de se identificar como arminianos ou calvinistas, pois consideram essas duas teorias boas, porém minimamente detentoras da Verdade de Deus, são para eles, 0,00001% do que a Bíblia Sagrada tem a oferecer. (o número foi só pra ilustrar).

Concluindo e tendo ciência de que prestarei contas a Deus de tudo quanto afirmo, o deus calvinista é déspota, o deus arminiano é um banana e o Deus da Bíblia é Deus.

Informo que neste texto há muito pouco dos argumentos válidos contra a predestinação fatalista. Aceito comentários construtivos e respeitosos.

Cordialmente,

Clébio Lima de Freitas

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A Ênfase da Pregação Pentecostal (Parte 2)

Como já mencionado na primeira parte deste artigo, muitos reformados afirmam que a ênfase nos dons espirituais dada pelos pentecostais em suas pregações gera cristãos imaturos. É uma tese interessante e que pode gerar no ouvinte incauto a ideia errônea de que, de fato, os pentecostais são imaturos por que não dão ênfase ao novo nascimento, mas à experiência extática do falar em outras línguas. Levantei então uma nova tese, a de que a imaturidade pentecostal se dá pelo fato de as igrejas pentecostais crescerem muito e assim sempre terem em seus quadros pessoas imaturas, assim como pessoas maduras, que aprenderam a serem cristãos maduros com o tempo e através do estudo da Palavra e do agir do Espírito Santo. Minha missão é, nesta e nas próximas postagens, tentar provar minha tese sem desprezar a dos meus irmãos reformados, já que admiti que isso aconteça, e é um desvio doutrinário sério, mas não é a razão principal da tão alardeada e criticada “imaturidade pentecostal”. Seguem então abaixo meus argumentos:

1 - A ênfase da Pregação Pentecostal é a salvação em Cristo.

Isso mesmo, a ênfase da pregação pentecostal não é o revestimento pentecostal em si, mas a salvação em Cristo, de fato, pelas próprias Escrituras, o revestimento de poder do alto vem para capacitar o cristão a anunciar o Evangelho. Veja o que está escrito em Atos 1.8:

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra".

De fato, pelas Escrituras, entendemos que o batismo com o Espírito Santo dá ao cristão autoridade e capacidade para anunciar o Evangelho. Logo, tudo gira em torno do Evangelho. Veja outro texto enfático sobre isso:

E lhes disse: "Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vocês são testemunhas destas coisas. Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto". (Lucas 24:46-49)

Em Atos, no dia de pentecostes, a promessa se cumpre e veja o que Pedro afirma:

Pedro respondeu: "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para todos quantos o Senhor, o nosso Deus chamar". (Atos 2:38,39)

Percebeu que a promessa do revestimento de poder tem como finalidade a pregação do Evangelho? Percebeu também que ela vale para todo cristão?

Quando eu conheci a Cristo, numa igreja pentecostal, não fui apresentado ao evangelho das línguas estranhas ou da profecia pós-escritura, fui apresentado ao Evangelho de Cristo, à salvação em Cristo pela graça mediante a fé. Posteriormente fui apresentado à doutrina dos dons espirituais e convidado a buscá-los para anunciar o Evangelho com poder. Depois de algum tempo, o experimentei, e é claro que algumas lições tiveram de ser aprendidas em relação aos dons, tive de sujeitar minhas experiências à Palavra e isso não é fácil. Tive como auxílio irmãos que puderam me orientar, e a própria teologia pentecostal. Sei que muitas igrejas supervalorizam os dons espirituais, como se o fim do Evangelho fosse o falar em línguas estranhas, mas esse é um desvio da própria doutrina pentecostal e que deve ser combatido nas igrejas carismáticas como um todo. Como vemos, apesar de esse desvio doutrinário existir em muitas igrejas pentecostais, o pentecostalismo histórico resiste, tanto que pude alcança-lo.

Nas próximas postagens me aprofundarei mais na questão da “imaturidade pentecostal”.


Paz do Senhor Jesus!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A Ênfase da Pregação Pentecostal (Parte 1)

Em discussão sobre a atualidade dos dons do Espírito com alguns irmãos reformados, o que mais se ouve dos muitos comentários contrários ao Pentecostalismo é a tal “ênfase nos dons”, que estaria afundando o pentecostalismo. Creio eu que querem dizer com isso que o novo convertido pentecostal não é levado a buscar, em primeiro lugar, a transformação de caráter, antes os dons e assim a transformação de caráter fica prejudicada. É bem verdade que há no meio pentecostal muitos crentes e também obreiros meninos na fé, mas fico a me perguntar se o motivo é exatamente esse.

Há pelo menos três motivos para um cristão não crescer espiritualmente falando: falta da Palavra pregada no púlpito (Jo 15.3); falta de vida devocional através da oração, reflexão e jejum no seu lar (Gl 5.16); falta do exercício da fé através da evangelização e atuação ministerial (2 Tm 2.3-6). Resumidamente, se a igreja não proporciona ao crente o estudo da Palavra de uma forma minimamente profunda e abrangente, ou se o cristão não mantém uma vida de comunhão com Deus, ou, se fazendo essas duas primeiras, não leva à sua vida cotidiana o que aprendeu, esse cristão não crescerá espiritualmente, será eternamente um menino na fé ou o seu crescimento se dará muito lentamente.

Sei que há uma distorção no meio pentecostal que leva muitos a cometerem esse grave erro de supervalorizarem os dons em detrimento da regeneração, em detrimento de se tornarem a cada dia mais parecidos com Cristo no caráter. Os cristãos de Corinto cometeram esse erro e Deus nos deu, por causa disso, a 1ª Carta aos Coríntios de presente através do ministério de Paulo. A ênfase da pregação Cristã deve ser esta: que Cristo se sacrificou por nós, para perdoar nossos pecados e nos regenerar, pois estávamos, e muitos estão, mortos em seus delitos e pecados (Jo 3.16; Ef 2.1). Diante disso, gostaria de levantar outra hipótese quanto à falta de maturidade dos pentecostais, não deixando de levar em consideração a dos meus irmãos reformados. Será que essa meninice não tem a ver, em grande escala, com o fato de as igrejas pentecostais crescerem muito, tendo em seus quadros sempre pessoas imaturas que estão crescendo e aos poucos deixando de lado essa imaturidade ao longo do tempo? Assim o pentecostalismo sempre terá meninos na fé fazendo meninices e também crentes maduros, que se opõe a essas meninices. Será que essa hipótese tem fundamento? Ou será que é mera especulação deste blogueiro para fugir do debate sobre os famigerados “problemas ocasionados pelo entendimento de que os dons são atuais”?

Fique atento ao blog Chama Pentecostal, pois tentarei responder esse questionamento em minhas próximas postagens.

Em Cristo,

Clébio Lima de Freitas

sábado, 11 de janeiro de 2014

O Poder de Arrepender-se


Jesus, porém, ouvindo que João estava preso, voltou para a Galiléia; E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, Junto ao caminho do mar, além do Jordão, A Galiléia das nações; O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou. Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” (Mt 4:12-17)

1 - O que é arrependimento?

Segundo o dicionário Priberam, um dos significados de arrependimento é mudar de intenção ou de ideia. Também traz a ideia de contrição, estar insatisfeito com algo, ter pesar de algo, que é o conceito mais usual do termo. O conceito secular do termo não está errado, quando nos arrependemos de algo, antes sentimos contrição, pesar, muitas vezes remorso, vergonha mesmo de termos praticado algo, porém Deus não está pensando em um sentimento quando nos manda nos arrependermos, Ele quer que mudemos de direção, que voltemos atrás, ou que voltemos ao caminho certo antes percorrido. Fazendo uma busca simples em uma Bíblia digital, pude contar mais de 20000 menções a este termo ou a similares, o que nos mostra o quanto há necessidade de arrependimento.

2 – O arrependimento bíblico é impossível fora de Cristo.

Como já havia dito antes, o termo arrependimento em sua acepção secular é um tanto diferente da acepção original da palavra. Deus quer que o homem natural, morto em seus delitos e pecados (Ef 2:1), arrependa-se de seu caminho e se volte para o Único Caminho (Jo 14:6). Aos homens, piedosos ou não, foi dada a consciência, assim todos sabem, em certo nível, o que é certo e errado, é por isso que existe a concepção de remorso ou pesar por algo de errado que fizemos. O homem sabe quando erra e tem consciência do que é justo e injusto, porém continua pecando porque não possui forças para vencer a força do pecado em sua vida (Rm 7). Na primeira parte do texto base, está escrito que “O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou” (v 16). O Evangelho, as boas novas, tem esse nome porque trouxe aos homens a possibilidade de mudança, de arrependimento verdadeiro, de deixar de lado o caminho mal e fazer a vontade de Deus, “aos que estavam assentados na região e sombra da morte, a luz raiou”. No versículo seguinte está escrito “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (v 17), Deus está nos dizendo que desde então podemos nos arrepender de nossos pecados e mudarmos de direção porque é chegado o reino dos Céus, “Cristo em vós, esperança da Glória” (Cl 1.27). O que era impossível aos homens, é possível a Deus (Mt 19:26).

3 - O poder de arrepender-nos é um sinal de Cristo em nossas vidas.

Muitos dizem que são de Cristo, mas não são. Cristo disse “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.(Mt 7:21) Essa mensagem parece dura, mas é verdade. Porém, como já foi dito antes, é impossível ao homem viver em santidade sem a cruz de Cristo, assim também é verdade que quem tem a Cruz de Cristo, vive em santidade diante de Deus e isso é possível pelo Espírito de Deus que ele derramou sobre sua igreja (At 1:8) e que habita em cada servo dele (Jo 14:23; Ef 2:22; Rm 8:9). O Evangelho tem poder de libertar todo aquele que crer (Rm 1:16). Todo o que crer no Evangelho de Cristo se arrependerá, será transformado e essa transformação é um sinal de que Deus vive nele através do seu Espírito que foi prometido por Cristo (Jo 14:16).

Conclusão

Deus quer que nos arrependamos, o arrependimento não é mero sentimento de pesar por algo errado que fizemos, mas o ato de voltarmos atrás, mudarmos de atitude. O arrependimento verdadeiro só é possível em Cristo e a transformação verdadeira é um sinal, uma prova de que Deus habita em nós e nos dá poder para vencer o pecado.


Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. (Rm 8.1-4)

domingo, 9 de setembro de 2012

O Burro e os Doutores


Amados,

Depois de um bom tempo sem postar, recebi um texto interessante do irmão Jaime Dias da Silva, de Curitiba, PR. É um texto engraçado e desafiador, pois fala do contraste entre a sabedoria de Deus e a sabedoria humana. Os erros grosseiros cometidos por homens que se julgam doutores e agem como leigos, por o serem, no campo espiritual. Não é um texto contra a Teologia, mas contra o mal uso desta. Vale salientar que não estou abonando todas as tendências teológicas do amado irmão, mas o respeito e o texto, certamente, é edificante. Boa leitura. 

O Burro e os Doutores


“Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu AS COISAS VIS deste mundo, E AS DESPREZÍVEIS, e AS QUE NÃO SÃO, para aniquilar as que são.” I Co. 1:27-28.

Bom estudo, Deus te abençoe em Graça e em conhecimento.

A Bíblia nos apresenta um grande contraste entre O BURRO E OS DOUTORES RELIGIOSOS (nem todos), mostrando quem é o mais sábio e quem é o mais burro.

NO ANTIGO TESTAMENTO, UMA JUMENTA MOSTROU-SE QUATRO VEZES MAIS SÁBIA QUE O PROFETA BALAÃO. Nm. 22 a seg.

1). A jumenta teve “VISÃO ESPIRITUAL” para enxergar três vezes o perigo antes do profeta. Nm. 22:33.
Já Balaão, na sua “visão carnal” agiu como um verdadeiro animal irracional, espancando a jumenta três vezes. Nm. 22:28.

2). A jumenta mostrou “FIDELIDADE” ao seu dono, deitando-se debaixo dele para protegê-lo da espada do Anjo do Senhor. Nm. 22:27. Já Balaão, mostrou-se “infiel” aos longos serviços da sua cavalgadura. Além de espancar a jumenta por três vezes, teria a matado se tivesse uma espada na mão. Nm. 22:28-30.

3). A jumenta mostrou-se “DIGNA”, por Deus usar a sua boca, para falar ao profeta. Nm. 22:28. Já Balaão, mostrou-se “indigno”, mesmo profetizando a Balaque o rei dos moabitas, seu coração estava no ouro e na prata do rei, atraindo a ira de Deus para si. Nm. 22:21-22.

4). A jumenta na sua “SABEDORIA” teria escapado com “VIDA”. Já Balaão, na sua “irracionalidade” teria “morrido” nela. Nm. 22:33.

NO NOVO TESTAMENTO UM JUMENTINHO MOSTROU-SE CINCO VEZES MAIS SÁBIO QUE OS DOUTORES DA RELIGIÃO. Lc. 19:1-41

1). O jumentinho vivia “PRESO” no pasto, esperando o chamado do Senhor. “E disse-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis PRESO UM JUMENTINHO...” Mc. 11:2.

Já os doutores da lei, viviam e vivem “ASSENTADOS” na cadeira de Moisés, esperando fazer discípulos, para a sua religião. “...Na cadeira de Moisés estão ASSENTADOS OS ESCRIBAS E FARISEUS. Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam.” Mt. 23:2-3

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que percorreis o mar e a terra PARA FAZER UM PROSÉLITO; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais que vós.” Mt. 23:15.

2). O jumentinho, sem nunca ter sido domado aceitou com humildade a monta de Jesus. “Dizendo: Ide a aldeia que está defronte, e ai, ao entrar, achareis preso um jumentinho em que NENHUM HOMEM AINDA SE ASSENTOU; soltai-o e trazei-o.” Lc. 19:30

Já os doutores religiosos, que deveriam ser conhecedores de Deus, na sua soberba recusaram e recusam até hoje, O JUGO DE JESUS. “Veio para o que era seu, E OS SEUS NÃO O RECEBERAM”. Jo. 1:11

3). O Jumentinho foi “ÚTIL” para a obra de Deus, servindo de cavalgadura para o Senhor. “E trouxeram-no a Jesus: E, lançando sobre o jumentinho os seus vestidos, PUSERAM JESUS EM CIMA.” Lc. 19:35.

Já os doutores da lei, foram “inúteis” servindo e servem até hoje, de “pedra de tropeço” para o Evangelho do Filho de Deus. “Então alguns DOS FARISEUS diziam: Este homem não é de Deus; POIS NÃO GUARDA O SÁBADO...” Jo. 9:16.

4). O jumentinho trouxe Jesus para dentro de Jerusalém, contribuindo com sua glória. 

“E quando já chegava perto da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a dar louvores a Deus em alta voz, por todas as maravilhas que tinham visto.” Lc. 19:37

Já os doutores religiosos expulsaram Jesus de Jerusalém, fazendo-o carregar uma cruz, contribuindo para sua vergonha. “Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E os seus gritos, E DOS PRINCIPAIS DOS SACERDOTES, redobravam”. Lc. 23:23

“E levando ele às costas a sua cruz, SAIU para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota. Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.” Jo. 19:17-18

5). O jumentinho ou qualquer que FIZER ALGUMA OBRA em prol do Reino de Deus, de modo algum perderá o seu galardão. “E qualquer que tiver dado SÓ QUE SEJA UM COPO D’ÁGUA FRIA a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que DE MODO ALGUM PERDERÁ O SEU GALARDÃO.” Mt. 10:42

Por sua vez, os doutores da religião de todas as gerações, que torcem a Palavra de Deus para satisfazer suas ideologias e deleites próprios, também receberão seu galardão: O DA INJUSTIÇA. (II Pe. 2:13). “Serpentes, raça de víboras! COMO ESCAPAREIS DA CONDENAÇÃO DO INFERNO? Mt. 23:33

MORAL DA HISTÓRIA
Um burro com Jesus é mais sábio que um doutor religioso. Um doutor religioso sem Jesus, torna-se um verdadeiro burro. Disse o Senhor Jesus: “...PORQUE SEM MIM NADA PODEIS FAZER.” Jo. 15:5b.

Jaime e Júlio – Curitiba Pr.

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