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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Filipe e as missões em Samaria:

“E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo.” (At 8.5)

Introdução:


Queridos leitores, o texto a seguir nasceu da necessidade de se comparar as missões atuais com as missões realizadas pela igreja primitiva. O exemplo de Filipe ilustra o que é, como fazer e por que fazer missões. Em um mundo tão turbado pelo pecado onde até o Evangelho tem sido banalizado, irreverenciado e desprovido da seriedade que lhe devem ser empregados, não nos faltam motivos para falarmos sobre missões de uma perspectiva pentecostal e acima de tudo neo-testamentária, coisas que seriam impossíveis de desvincular-se, pois não há missões sem pentecostes nem pentecostes sem missões e isso é muito bem explicado quando o próprio Cristo nos disse: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” (At 1.8). Você, meu irmão pentecostal, sente prazer em fazer missões, falar de Cristo para seus colegas de trabalho, faculdade, colégio ou para seus vizinhos? Saiba que o Espírito Santo tem se movido na vida de cada crente nestes últimos dias levando-nos a compreender que Cristo está às portas, não resista ao Espírito, anuncie as Boas Novas. “E o Espírito e a esposa dizem: Vem.” (Ap 22.17a).

Mas, por que Filipe?

Por que ele é o exemplo de que não precisamos ser grandes para sermos missionários, não precisamos de renome ou de grande erudição para anunciarmos a Cristo, precisamos apenas sermos cheios do Espírito. Filipe era apenas um diácono (At 6.5) e estava fazendo o papel de evangelista. Isso não é comum em nossos dias? Temos visto homens consagrados ao ministério evangelístico acomodados enquanto que os pequeninos saem às ruas para anunciar o Evangelho, mesmo sem grande preparação. Vejo pastores que não conduzem o rebanho, mas apenas delegam funções e dirigem cultos enquanto vemos uma igreja destroçada e precisando desesperadamente de homens consagrados para conduzir o rebanho do Senhor! Quero mostrar-lhes algumas características da pregação de Filipe que são inerentes à pregação da Palavra movida pelo Espírito e que servem de padrão para analisarmos como estamos diante da presença do Senhor.

1 – Filipe pregava a Palavra mesmo em meio à angustia gerada pela perseguição (At 8.1-5):

Já pensou se fôssemos movidos a anunciar o Evangelho mesmo com a dor do luto em nossos corações? É comum darmos desculpas para não fazermos a obra do Senhor, desculpas do tipo: “Não tenho tempo, preciso estudar”, “Não posso, estou muito ocupado com o trabalho”, “Estou cansado, quando estiver mais disposto irei evangelizar”, “Só eu vou, ninguém quer me ajudar”, etc... Acho que precisamos relembrar que sempre deve haver tempo em nossa vida para Deus e para a sua obra, pois o inferno está à espera dos perdidos que morrem todos os dias sem a salvação que há em Cristo. Acho que esquecemos que nosso descanso não é aqui (Mq 2.10) e que seremos julgados por nossas obras de justiça que houvermos feito para o reino de Deus (1 Co 3.11-15) para que possamos receber nosso galardão. Esquecemos também o que Cristo falou: “... eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mt 28.20b). O diácono Estevão acabara de morrer e os crentes haviam sido dispersos pela perseguição, mas levaram consigo a chama do Evangelho com a qual incendiaram todo o mundo conhecido da época! Talvez se olhássemos para esse grande exemplo não daríamos desculpas tão “esfarrapadas” para Deus.

2 – Filipe anunciava a Cristo (At 8.5):

Hoje em dia é comum ouvirmos algum desses pregadores da prosperidade nos indagarem: “se não pregarmos prosperidade vamos pregar o quê?”. Respondo esta pergunta com o exemplo de Filipe, pois ele pregava, não a prosperidade, as riquezas ou o fim do sofrimento ainda nesta terra, mas sim a Cristo. Lembro-me com estas palavras daquilo que Paulo escreveu aos coríntios: “Mas nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Co 1.23a). Nossa pregação não deve ser baseada nas necessidades do homem, mas na vontade de Deus (2 Co 2.17). Este evangelho antropocêntrico tão combatido pelos verdadeiros homens de Deus têm sido propagado nas TVs e rádios no Brasil e no mundo, fazendo com que o mundo tenha uma idéia totalmente distorcida da realidade. Não é difícil encontrar alguém que nos chame de ingênuos e massa de manobra, pois é esta a imagem que certas igrejas passam de nós nos meios de comunicação, ou você acha que alguém que põe a sua fé no “banho do descarrego” e na “rosa ungida” pode ser considerada uma pessoa inteligente? Se ao menos a Bíblia desse apoio para tudo isso, tudo bem, mas além de a Bíblia não confirmar tais práticas ainda as combate energicamente (2 Tm 4.1-6). Há quem em suas pregações repete as palavras de Gandhi, Platão, Madre Teresa de Calcutá, Sócrates, Aristóteles e outros grandes personagens da humanidade, que todos esses homens e mulheres foram grandes exemplos não nos resta dúvida, mas até os grandes filósofos e religiosos se não atentarem para essa tão grande salvação oferecida por Jesus não alcançarão a vida eterna (Jo 3.18; Hb 2.3). Voltemos a cantar um dos clássicos da Harpa Cristã que diz: “Foi na cruz, foi na cruz onde um dia eu vi meu pecado castigado em Jesus, foi ali pela fé que os olhos abri e agora me alegro em sua luz” (Harpa Cristã, hino de número 15). Cristo ainda é o centro da mensagem da salvação, pois foi ele quem morreu e ressuscitou, dando-nos certeza que suas palavras são verdadeiras, ele é o nosso Eterno Redentor (Jo 3.16)!

3 – Filipe fazia sinais que chamavam a atenção dos ouvintes (At 8.6-13):

Este é o grande diferencial entre um pregador formalista e um que vive a plenitude do Espírito. Os sinais seguem aqueles que anunciam o Evangelho (Mc 16.17,18). Essa verdade tem sido negligenciada pela igreja através dos séculos talvez porque para sermos tão tremendamente usados por Deus precisamos ter também uma vida tremendamente separada para seu serviço. Como diz o hino 244 da Harpa Cristã: “Santidade convém à Igreja, Prá gozarmos celeste amor”. Como o Espírito nos usará para fazermos milagres se entregarmos nossos membros para o pecado? De forma alguma irmãos, o Espírito de Deus é Santo! Como expulsaremos demônios se nos fizermos seus servos? Certamente eles não se sujeitariam a nós, pois deste modo o nome de Jesus seria apenas mais um nome em nossa vida não surtindo efeito algum. Os mais antigos na fé lembram-se de que em nossos cultos, se alguém oprimido entrasse pelas portas da igreja não demorava muito para que o demônio se manifestasse não suportando o poder de Deus que era derramado no templo através da oração. Não digo que o poder de Deus se extinguiu, pois sempre existirá um povo pentecostal, consagrado, que ora e que busca ter mais comunhão com o Senhor.

Conclusão:

Certa vez ouvi o Pr. Antônio Gilberto dizer em um seminário sobre Escatologia Bíblica: “Quando o fogo não pega, o culpado não é o fogo, mas a lenha que não presta”, e aproveito para perguntar: sua lenha é de boa qualidade meu irmão? Neste caso, fogo descerá do céu e o nome do Senhor será glorificado assim como foi depois que Filipe anunciou o Evangelho em Samaria. Continuemos a propagar o Evangelho simples pregado pelos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren que afirmavam com toda convicção: “Jesus salva, cura, liberta, batiza no Espírito Santo e brevemente virá para buscar sua Igreja”. Este é o Evangelho santo, sem tirar nem pôr, anunciemos a Palavra como ela é e os sinais certamente nos seguirão como prometeu nosso amado Salvador Jesus Cristo!

Bibliografia:

[1] Silva, José Apolônio da. Grandes Perguntas Pentecostais, CPAD.
[2] Stamps, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD.

Clébio Lima de Freitas
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