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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Um Debate Sobre Arminianismo e Calvinismo na Internet

Esta discussão se iniciou na internet depois de uma publicação da seguinte imagem:

O debate em si se estende há séculos.

O Calvinismo surgiu como uma volta à teologia de Santo Agostinho por ocasião da Reforma Protestante. Como bem sabemos, Santo Agostinho foi um profícuo teólogo que muito contribuiu para a soteriologia e condenou veementemente as ideias apregoadas por Pelágio de que o homem é naturalmente bom com todas as suas consequencias lógicas incluindo a negação da doutrina do pecado original. O protestantismo, de uma forma geral, conseguiu vencer o semi-pelagianismo, uma derivação do pelagianismo, predominante em sua época através desse retorno às idéias de Santo Agostinho, e principalmente, às Escrituras. Já o arminianismo, apesar de possuir os mesmos valores do calvinismo e do protestantismo em geral, surgiu como uma alternativa à visão determinista de Calvino. Para Armínio, a imagem de Deus criada pelo calvinismo era a de um ser mal e incompassivo, algo bem diferente do Deus revelado nas Escrituras, um Deus justo e amoroso, que resgata os pecadores da perdição eterna através do sacrifrício vicário de seu Filho. Para Armínio o amor e a justiça de Deus estão no mesmo patamar.

Calvinismo e arminianismo representam sobretudo paradigmas de interpretação da Bíblia. Se o leitor da bíblia é calvinista, ele vai interpretar os textos segundo essa ótica, e assim também o arminiano. O que marca esses paradigmas são seus pressupostos.

De forma resumida vemos aqui as diferenças básicas entre essas duas linhas teológicas.

Para o calvinista a fé é um dom de Deus e isso significa que Deus dá a fé ao crente de forma que este não pode resistir à mesma. Ele então crê e persevera até o fim. O salvo já é salvo antes de crer. Não é possível apostatar da fé, já que Deus é mais forte que nós. Fica então o problema. Por que Deus não dá o dom da fé a todos para que assim todos se salvem? Para o calvinista, os eternos propósitos de Deus são que alguns se salvem e outros se percam, de forma que Deus criou os eleitos para a a salvação eterna e os réprobos para a perdição eterna. Tudo já está predeterminado desde a aternidade e tudo o que acontece no mundo foi determinado ativamente por Deus, inclusive este artigo que eu estou escrevendo e que, para os calvinistas, não agrada a Ele nem um pouco. Tudo que há de bom ou de mal no mundo é orquestrado por Deus.

Para o arminiano a fé é a resposta do homem à graça divina. Isso significa que Deus fala aos corações dos homens e estes podem ou não resistir a essa graça. Quem perseverar até o fim herdará a vida eterna. Para alguns arminiaos é possível apostatar da fé, para outros não. Deus elegeu antes da fundação do mundo todos aqueles que ele sabe que perseverariam até o fim. Deus nos dá todos os meios para que possamos ser regenerados, justificados, santificados e por fim glorificados. Graça do início ao fim. A salvação é pela graça mediante a fé em Cristo. Os males deste mundo provém do coração pecaminoso do homem. Deus o entrega a suas paixões e ele, no uso de sua liberdade o desagrada criando todo tipo de males e sofimentos. Deus, possui todo o controle das ações humanas, mas não no sentido de ordená-las. Nada acontece sem que Ele permita.

Baseado nisso gostaria de comentar algumas afirmações de um rapaz chamado JP Padilha que argumentou comnigo que Deus criou os réprobos especificamente para jogá-los no inferno no dia do juízo. Essa é a consequência lógica final do calvinismo em relação aos perdidos. Depois de cada comentário do rapaz, seguirá o meu devidamente assinalado. Segue o texto do rapaz:

 “VASOS DE HONRA” E “VASOS DE DESONRA” (Supralapsarianismo) 

"Porque se introduziram alguns, que já ANTES ESTAVAM ESCRITOS PARA ESTE MESMO JUÍZO, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo". (Judas 1:4)

Construíram nos montes os altares dedicados a Baal, para queimarem os seus filhos como holocaustos oferecidos a Baal, coisa que não ordenei, da qual nunca falei nem jamais me veio à mente. “ (Jeremias 19:5)

Vamos deixar a Escritura explicar a Escritura. As situações são parecidas. Pessoas introduzidas no meio do povo de Deus praticando coisas que o desagradam. Em um dos textos se afirma que eles já estavam escritos para este mesmo juízo. No outro , citado por mim, Deus diz que nunca ordenou tal coisa [o pecado], nem lhe veio à mente. Sabemos que Deus é racional, logo este texto está sendo interpretado errado pelo rapaz. Possivelmente Judas estava falando das profecias que afirmavam que esse tipo de coisa aconteceria no seio da Igreja.

--> "Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas Ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, PARA OS QUAIS ESTÁ ETERNAMENTE RESERVADA A NEGRURA DAS TREVAS". (Judas 1:12,13) 

Deus criou o inferno para os pecadores (anjos e homens). A reserva eterna no texto é coletiva e não individual. É interessante também como o pecado deles e o fato de eles o terem escolhido deliberadamente é ressaltado por Deus como a causa do juízo eterno.

--> “O Senhor fez todas as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o ímpio para o dia do mal”. (Provérbios 16:4)

Alguém está dizendo aqui que não foi Deus quem fez os ímpios, ou que, segundo os designios de Deus os mesmos não sofrerão a pena própria dos pecadores, a qual foi ordenada por Ele mesmo? Deus é Senhor da história e ele certamenbte não foi pego de surpresa pelo pecado da humanidade.

--> "Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado,
O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, AINDA ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós"; (1 Pedro 1:19,20)

Sim, Cristo foi eleito para este fim. Nisso concordamos.

--> "E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do CORDEIRO QUE FORA MORTO ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO". (Apocalipse 13:8)

Idem.

O Cordeiro fora imolado antes da fundação do mundo, certo? Por que razão DEUS decretaria a Salvação senão porque ANTES Ele havia decretado a QUEDA? O que motivou Deus a SACRIFICAR O CORDEIRO ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO (Apocalipse 13:8)??? ATOA???

Isso é sequência lógica baseada em pressupostos errados. A Escritura não diz que Deus decretou a queda de Adão.

Era necessário que existisse um "PROBLEMA" a ser resolvido, para que, então, a SOLUÇÃO fosse decretada. 

Então Deus não é soberano o suficiente? Ele precisaria criar o problema para depois apresentar a solução?

Que PROBLEMA era este?

A Salvação é um processo eterno e não transitório. É uma sequência de fatos que ocorrem eternamente, sem ter começo ou fim. Isto sempre esteve na mente de DEUS (Romanos 8:30). Vemos que o “vaso de honra” (Romanos 9) sempre foi salvo, e, de modo decretivo, ele nunca esteve PERDIDO. Costumamos dizer: "Uma vez salvo, sempre salvo", não? Então, por que causa isto mudaria com relação aos réprobos, considerando que a mesma passagem de Romanos 9 descreve o “vaso de desonra” como preparado para a perdição? Ou seja, uma vez PERDIDO, sempre perdido!!! 

Efésios 2

1 Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados,
2 nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência.
3 Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira.

O destino dos salvos era a morte eterna. Deus nos resgatou e nos deu um novo destino, a salvação em Cristo.

Definitivamente, Deus não contemplou o homem caído para depois ordenar sua perdição (visão defendida pela seita arminiana), assim como DEUS não olhou para a santidade do homem para salvá-lo. Se Ele operou a santidade nos Seus antes mesmo de O conhecerem, Ele, igualmente, conduziu o restante à PERDIÇÃO, deixando-os cair no pecado, não dando a eles o arrependimento que provém do Espírito; e, do mesmo modo Ele o fez com Esaú, que com lágrimas buscou lugar de arrependimento e não encontrou (Hebreus 12:17). Não há sentido em aceitar que Deus JAMAIS tenha olhado para as obras do eleito para salvá-lo, para depois dizer, paradoxalmente, que o Senhor teve de contemplar o estado decaído do homem para, só depois, predestiná-lo à perdição. Se Ele não olhou para o coração do homem para salvá-lo, porém tão somente para o beneplácito de Sua vontade, Ele também o fez para preordenar a ruína dos réprobos, sem olhar para as falhas dos mesmos.

Todas as ricas bençãos que Deus nos propicia em Cristo são por sua graça mediante a fé nEle. Nada em nós nos fez merecer coisa alguma que Ele nos concedeu. Corresponder ao chamado de Cristo não é mérito, é a única alternativa a pecadores totalmente depravados e impossibilitados de fazer bem algum.

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Vincent Cheung faz uma declaração cirúrgica sobre isso: 'A queixa de que no Supralapsarianismo Deus decreta a identidade dos réprobos sem considerar a pecaminosidade deles, é inválida. Já foi estabelecido, acima, que a reprovação é incondicional, assim como a eleição dos santos, de forma que esta queixa não apresenta nenhum problema'. 

Quem insiste no erro depois de muita repreensão, será destruído, sem aviso e irremediavelmente. (Provérbios 29:1)

A reprovação dos réprobos é pelo fato de eles serem repreendidos e insistirem no erro. Isso é condicionalidade.

sábado, 20 de agosto de 2016

Definindo uma "igreja" herética?


Para falarmos sobre "igrejas" héticas, precisamos primeiro definir o que é igreja e o que é heresia.

A palavra "igreja" vem do grego ekklesia e significa "reunião de um povo convocado". 

A palavra "heresia" vem do latim haeresis e significa ensino ou opinião contrária à concepção de determinado grupo ou discordância daquilo que é tido como ortodoxo.

Como vemos, a Igreja é um conjunto dos indivíduos que foram convocados por Deus à salvação em Cristo (Rm 8:28-30; Ef 1:18; 4:4). Normalmente utilizo a palavra igreja, com i minúsculo, para designar qualquer instituição eclesiástica e Igreja, com I maiúsculo, para designar a Igreja como definida acima, o grupo de todos os salvos do passado, do presente e do porvir. Já heresia é uma tese que destoa dos artigos de fé já estabelecidos e amplamente aceitos pela Igreja. Como vemos, heresia, no original, é algo relativo, porém se cremos que os valores bíblicos são absolutos, logo podemos dizer que é possível determinar heresias de forma absoluta. Para cada grupo há um padrão de ortodoxia. Para os islâmicos esse padrão é o Corão, para os kardecistas, os escritos de Allan Kardec, para os católicos, um misto de autoridade da Escritura, do Papa e da tradição oral e para os protestantes, a Escritura somente. 

O padrão de uma igreja sadia deve ser a Escritura, somente a Escritura, e isso não anula a possibilidade da manifestação de profecias, revelações, visões, etc.. Neste caso, nós pentecostais, como defensores da atualidade dos dons do Espírito e do Sola scriptura, asseveramos que qualquer manifestação extra-escriturística deve apontar para as verdades da Escritura e nunca contradizê-las. Logo podemos dizer que através dos dons do Espírito, Deus nos alerta sempre para as verdade da Escritura e, se assim não for, devem ser rejeitadas quaisquer manifestações. É daí que vem o grande problema de interpretação do conselho de Paulo de julgar as profecias (1 Co 14.29). Paulo ali não falava das profecias do Antigo testamento, ou dos ensinos dos apóstolos, mas sim das profecias manifestas nos cultos, as quais precisavam ser analisadas à luz da Escritura e do dom de discernimento de Espíritos (1 Co 12:10). Muitos crentes se perdem nisso. Uns aceitam falsas profecias, e outros, falsos ensinamentos. O erro é o mesmo, pois o mesmo Espírito dá a profecia e a ciência e nos alerta tanto sobre falsos profetas, quanto sobre falsos mestres (2 Pe 2:1; Mt 7:15; At 20:29). Podemos mesmo dizer que a Igreja jamais é herética, porém as igrejas sim. Pois o conjunto dos salvos em Cristo segue a Cristo (Jo 10:27) e não a falsos profetas ou falsos mestres.

Mas qual é mesmo a marca de uma igreja herética? Qual é aquele sinal que é infalível? Podemos dizer que o cristianismo autêntico é pautado sempre por Cristo. A Escritura revela Cristo de Gênesis a Apocalipse. A grande marca da uma igreja herética é, não o cristocentrismo, mas o antropocentrismo, ou seja, o homem no centro e não Cristo. Neste caso, tudo nessas igrejas, substitui a Cristo. O dinheiro, os milagres, os anjos, os santos, um profeta, o próprio homem e tudo ao redor da satisfação do ego humano. O cristianismo é mesmo teocêntrico. Não podemos fugir disso ao custo de nos afastarmos da verdade do Evangelho (Hb 3). Essa é a marca das falsas igrejas e dos falsos ensinos que muitas vezes permeiam igrejas sérias (oremos por elas).

Tenha por certo que qualquer adoração a santos, ao dinheiro, aos homens de "deus" e ao próprio homem de uma forma geral não faz parte da vivência de uma igreja verdadeiramente chamada, convocada, por Deus!

Somente a Deus a Glória!

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