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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Mornidão Espiritual – Um mal na Igreja hodierna

Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. (Ap 3:16)
1 - Introdução:

Estamos aqui diante de um versículo que nos faz refletir sobre o que nós somos e o que nós queremos e devemos ser. Observando o contexto veremos que a igreja dos tempos apostólicos não estava livre da tão famosa mornidão espiritual, que diremos nós que vivemos tempos tão trabalhosos (2 Tm 3.1). A mornidão espiritual é uma das mazelas que corrompem a Igreja hodierna, mas do que se trata essa “doença” que faz com que Deus nos vomite de sua boca?

2 - Que “doença” é essa?

Essa carta, escrita pelo Apóstolo João, foi endereçada à igreja de Laodicéia, uma igreja que se situava numa região próspera e, portanto, seus membros gozavam de uma vida abastada. O nome “Laodicéia“ vem do grego e significa democracia, ou seja, o poder do povo. Já era de se esperar que os crentes laodicenses tivessem uma mentalidade de auto-suficiência e que impunham isso até mesmo ao governo de Deus na igreja, para eles estava tudo bem, achavam que já não precisavam de nada (Ap 3.17a), porém estavam enganados, haja vista a resposta de Deus a essa atitude antropocêntrica e materialista: "e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;" (Ap 3.17b). A Bíblia fala de prosperidade com muito equilíbrio, não existe nela a chamada “Teologia da Prosperidade”, que afirma que todo crente deve ser rico e que a pobreza é uma maldição, entre outras inverdades, mas também não revela a tão defendida “Teologia da Miséria” que afirma, segundo seus adeptos e de forma errônea, que a miséria é uma dádiva de Deus. O que a Bíblia afirma é que o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males (1 Tm 6.10a), portanto, não devemos colocar o nosso coração nas riquezas, mas sim naquele que pode nos dar, segundo a sua vontade, tudo o que nos é necessário (Sl 23; Mt 6.19ss). A igreja de Laodicéia estava enfrentando este mesmo problema, estava com seu coração nas coisas corruptíveis e não nas que são eternas (Cl 3.2,3; 2 Co 4.8). Uma igreja focada em Cristo busca em primeiro lugar pregar a Palavra de Deus acompanhada das manifestações do Espírito Santo em forma de dons espirituais para que a igreja seja edificada e os descrentes convertidos. A igreja que despreza esses valores com certeza se desviará da sã doutrina e Jesus já não será o seu Senhor. Que contradição nós vemos quando, ao passarmos por certos templos “evangélicos”, lemos a frase: “Jesus Cristo é o Senhor!”, e tristemente lamentamos por observarmos que essas igrejas estão caindo no mesmo erro da igreja de Laodicéia. A mornidão espiritual na igreja de Laodicéia se manifestava no fato de que ela estava dividida entre Cristo e as riquezas, entre a vontade de Deus e a vontade do homem. A Bíblia revela que não podemos servir a dois senhores (Mt 6.24), um coração dividido nunca agradará ao Senhor, precisamos ter certeza do que queremos, pois o verdadeiro evangelho consiste, entre outras coisas, na renúncia do mundo com suas paixões e concupiscências (1 Jo 2.15), amar ao mundo é o mesmo que ser inimigo do Deus da Bíblia (Tg 4.4), por isso Jesus já se encontrava do lado de fora da igreja de Laodicéia (Ap 3.20).

3 - A solução:
Bom, apresentamos a doença, agora apresentaremos a cura. Prosseguindo no texto vemos que Deus revela três coisas que a igreja de Laodicéia deveria fazer para ser curada da mornidão espiritual:

3.1 – Fé genuína:

“Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças;...” (Ap 3.18a).

O ouro, nesta passagem bíblica, representa a fé (1 Pe 1.7), neste referido versículo Pedro nos mostra que a prova da nossa fé é mais valiosa que o ouro que perece e é provado pelo fogo. Os crentes de Laodicéia com certeza precisavam passar pela prova para que crescessem espiritualmente. Uma análise da história da Igreja nos mostra que sempre que ela foi perseguida foi fervorosa, por quê? Porque na hora da provação nós corremos para os braços do Senhor e finalmente confessamos que não somos nada sem ele, veja, não era disso que a igreja de Laodicéia precisava (Ap 3.17)? A oração é fundamental para que sejamos uma igreja avivada, afinal, como receberemos se não batermos na porta, pedirmos ao Senhor e o buscarmos com diligência (Mt 7.7-11)? Se formos fiéis a Deus na hora da provação, receberemos dele a unção necessária para sermos suas testemunhas. Um exemplo disso foi o derramamento do Espírito nos dias da igreja primitiva no qual em meio à perseguição de todos os que se intitulavam seguidores de Jesus, os apóstolos não cessavam de anunciar a ressurreição do Mestre amado. Um complemento sobre essa reflexão é o versículo 19 de Apocalipse cap. 3: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.”, a repreensão do Senhor é uma dádiva, pois, com isso, nos mostra ele que nos ama e que está preocupado com nossa situação espiritual. Concluindo este ponto, somente a fé salvívica nos faz capazes de suportar os ardis do adversário por amor a Cristo (Fp 4.13; Rm 8.31-39).

3.2 – Santificação:

“... e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez;...” (Ap 3.18b).

Roupas brancas são um sinal de pureza espiritual, santidade (Zc 3.4,5; Mt 28.3; Ap 7.13), um crente que se embaraça com o pecado perderá a brancura de suas vestes (Is 1.18). O Senhor Jesus aconselha, então, os crentes mornos a buscarem dele a santidade sem a qual ninguém o verá (Hb 12.4), o pecado nos afasta de Deus e, logicamente, nos fará perder o vigor espiritual (Is 59.2). A santificação é uma busca incessante de todo crente que tem compromisso com Deus, sem ela não teremos comunhão com o Senhor. Todo e qualquer suposto “avivamento” que não cause transformação de vidas, conversão genuína e manifestações dos dons do Espírito Santo não passa de um mero movimento do homem (At 2). Devemos também estar cientes de que a santificação do crente só será verdadeira se atingi-lo em sua totalidade, ou seja, eu não posso ser santo por fora e imundo por dentro, isso não adiantaria, porém, não posso ser santo por dentro e sujo por fora, isso seria uma contradição. O verdadeiro cristão procura a cada dia ser santo em toda a sua maneira de viver (1 Pe 1.15).
3.3 - Direção do Espírito Santo:

“... e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.” (Ap 3.18c).

O colírio, aqui, representa a influência do Espírito Santo na vida do crente, a unção na Bíblia é um sinal de separação para o serviço do Senhor (Lv 8.10; 1 Sm 16.13; Is 61.1-3), portanto devemos desviar nosso olhar de tudo aquilo que não agrada a Deus (Sl 101.3a) além de atentarmos mais para as coisas espirituais (1 Co 1.12-14; Cl 3.2), e isso só será possível se o Espírito Santo for nosso ajudador (Jo 14.26). Muitas vezes as igrejas fracassam porque não atentam para a influência maligna (Ef 6.10-18), muitos ministros acham que podem combater o bom combate apenas com a sabedoria humana e desprezam os dons espirituais tão importantes para o serviço na casa do Senhor (1 Co 14.1), talvez nunca leram este versículo maravilhoso escrito por Paulo: “A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder;” (1 Co 2.4). Alguns ainda acham que o Espírito Santo é sujeito ao profeta, fazendo uma eisegese de 1 Co 14.32: “E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.”, ora, neste versículo não está escrito que o Espírito de Deus está sujeito ao profeta, mas sim o espírito do profeta, afinal, o Espírito Santo é Deus e Deus a ninguém se sujeita, o profeta, sim, é que deve ser sujeito ao Espírito Santo. Este versículo nos mostra que nem tudo que sentimos vem de Deus e, portanto, devemos nos controlar ao sentirmos certas emoções, mas repito que aquilo que o Espírito nos manda fazer, devemos fazer, porque ele é Deus. Um culto onde o Espírito Santo não tem liberdade para operar não pode ser do agrado de Deus e isso, com certeza, é uma das grandes causas da mornidão espiritual nos nossos dias.
4 - Conclusão:

Jesus é o mesmo ontem, hoje e será eternamente (Hb 13.8), portanto, não devemos nos deter às condições em que a igreja atual se encontra, em meio à apostasia ele ainda levanta e continuará levantando seus remanescentes, seus rabiscos. A mornidão espiritual é uma realidade nas denominações evangélicas, sejam elas pentecostais ou não, porém, devemos seguir o exemplo dos crentes de outrora, analisando o passado à luz da Bíblia Sagrada, poderemos detectar o que está errado nos nossos dias e então deveremos nós corrigir esses erros. Centrados na Palavra, com certeza, encontraremos o verdadeiro fervor espiritual que necessitamos para suportar os ataques do inimigo contra a Igreja de Cristo, um avivamento sempre virá nas vidas daqueles que crêem em Jesus (At 2.39)!

Por Clébio Lima de Freitas.
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