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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Voltemos à simplicidade do Evangelho


“Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam.” (1 Co 2.9)

É comum ouvirmos muitos usarem o versículo citado acima para afirmarem que Deus sempre tem algo inesperado para realizar em nossas vidas e é bem verdade que o Senhor nos faz muitas surpresas em nossa caminhada. Já pensou se tudo o que nos acontece fosse previamente conhecido por nós? Acredito que o mundo não teria tanta graça, no sentido comum da palavra. Ainda bem que a onisciência é um atributo unicamente divino! Bem, voltando ao assunto, usam-se essas palavras de Paulo, inspiradas pelo Espírito, para defender a autenticidade de todo tipo de acontecimento inexplicável e/ou sobrenatural geralmente ligado aos modismos neo-pentecostais. Dente cariado que ganha obturação de ouro, dinheiro que aparece na conta corrente sem mais nem menos, unção do riso, da galinha, da lagartixa, do leão, do carrinho de mão, etc. Eu poderia escrever dezenas de textos para arrolar todas as “maravilhas” que têm acontecido no meio evangélico brasileiro. Até parece que todo dia aparece uma nova unção que contagia a multidão dos loucos por uma nova experiência sobrenatural. Vem então a seguinte pergunta: será que 1 Coríntios 2.9 serve como respaldo para o que temos observado nos cultos que hoje chama ignorantemente de pentecostais? Tenho certeza que não e quero externar aqui não a minha opinião, mas o que a Bíblia diz sobre o assunto.

Jesus é o nosso maior exemplo:

Em João 13.15 está escrito: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.”. Isso nos mostra que o que Cristo fez é o que nós devemos fazer e se você acha isso difícil que dirá fazer milagres maiores que os de Jesus como ensinam alguns fazendo uma eisegese de João 14.12. Na verdade Jesus disse que os milagres que ele fez nós os faríamos maiores não em glória, mas em quantidade abrangência, pois o seu ministério foi de apenas três anos enquanto que a Igreja atua há mais ou menos dois mil anos [1]. Isso nos fica obvio quando descobrimos que os milagres que nós fazemos são concretizados por causo da autoridade do nome de Jesus e não por nossos próprios méritos (At 3.12,13). Fica claro então que os sinais que nos seguem são os mesmos sinais ele fez e que prometeu para nós. As línguas, por exemplo, não foram evidenciadas no ministério de Jesus, mas ele nos prometeu essa dádiva, esse dom, logo é bíblico o falar em outras línguas desde que usemo-lo como a Bíblia nos diz que devemos usá-lo (Ver At 2 e 1 Co 12-14). Diante das Palavras do Mestre, como podemos nós enveredarmos por este caminho tão nebuloso que é o misticismo que destrói a simplicidade do Evangelho? Busquemos o poder de Deus e não aceitemos que se ofereça fogo estranho no altar do Senhor (Lv 10. 1-3)!

Qual o real sentido do texto?

Se atentarmos para o contexto veremos que Paulo, ou Saulo, falava no referido texto sobre a simplicidade do Evangelho pregado por ele e conclamava os coríntios a proclamar o evangelho não apoiados em sabedoria humana, mas na sabedoria do Senhor. Na verdade os coríntios estavam buscando erudição (o que é bom), mas apoiavam-se nela somente (o que é perigosíssimo). Eram provavelmente os seguidores do partido de Apolo “homem eloquente e poderoso nas Escrituras.” (At 18.24b). Apolo nunca incentivou esse partidarismo em Corinto, mas estes afundaram-se em vangloriar-se na sabedoria do homem mais do que na infinita sabedoria de Deus [2]. Vemos essa atitude nos atuais ”pregadores” que buscam conhecimento, mas não o aplicam no propósito de ganhar almas ou de edificar a igreja. Seu desejo é unicamente serem promovidos e reconhecidos como sábios. Esquecem-se do Deus que os chamou e capacitou, (se é que Deus os chamou) no esforço de receberem glória dos homens e para isso anunciam um evangelho enfraquecido pelos apelos do mundo. Não falam mais em santificação, salvação, soberania de Deus, arrependimento, renúncia e tudo mais que concerne ao verdadeiro evangelho de Cristo. Na defesa do evangelho genuíno no trecho de 1 Co 2.1-8 Paulo afirma que:

- Não utilizou-se desnecessariamente de palavras sublimes (v 1);
- Sua vontade era de anunciar-lhes sempre que Cristo foi um dia crucificado (v 2);
- Era fraco, temia e tremia diante do Senhor (v 3);.
- Não era um mero incentivador e seu ministério foi confirmado pela ação do Espírito Santo (v 4) e isso para que eles não se apoiassem em sua sabedoria, mas no poder de Deus (v 5);
- Suas palavras eram provenientes de Deus, revelada a todos eles e oculta aos ouvidos do mundo (vv 6-8).


Depois de todas essas declarações Paulo então verbera o famoso versículo como ápice do seu discurso que se estende até o final do capítulo onde outro rumo é tomado no seu tratado, mas sempre seguindo a mesma regra de simplicidade ao falar, o que é uma das características mais lindas da mensagem da cruz. Ora, de que Paulo estava falando? Da verdade do Evangelho que consiste em que Cristo morreu, ressuscitou, foi assunto aos céus, um dia vai voltar, batiza no Espírito Santo, concede dons do seu Espírito segundo a sua infinita graça, enfim, Ele nos perdoa de nossos pecados e está trabalhando em nossas vidas agora mesmo. São essas as verdades que os nossos olhos não viram, nossos ouvidos não ouviram, e não subiram aos nossos corações até que Cristo no-las revelou. O homem jamais desejará a salvação até que o próprio Deus o chame e esse decida-se a arrepender-se de verdade. O mundo não conhece essa verdade e esse é o verdadeiro evangelho. Alguém poderá replicar: "Disso eu já sei e não preciso que você repita!" e eu diria a esta pessoa: "Enquanto a mensagem da cruz parecer monótona ao homem, este ainda não a experimentou, pois o nosso coração arde ao ouvirmos a veracidade da mensagem da cruz!".

Bibliografia:

[1] Ciro Sanches Zibordi. O que são as “obras maiores” de João 14.12. Disponível em http://cirozibordi.blogspot.com/2009/02/o-que-sao-as-obras-maiores-de-joao-1412.html. Acesso em 29 de maio de 2009.
[2] Lições Bíblicas. 1 Coríntios, Os problemas da Igreja e suas soluções. 2° Trimestre de 2009. Lição 3. CPAD.
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